Após 11 dias de negociações em Genebra, o acordo global para combater a poluição plástica foi bloqueado por países produtores de petróleo. O tratado buscava impor limites à produção e consumo de plástico, mas não houve consenso entre os 184 países presentes. O impasse representa um retrocesso nos esforços internacionais para conter a crise ambiental causada pelo descarte inadequado de resíduos plásticos.
Entenda o acordo internacional
O tratado, negociado por representantes de 184 países na sede das Nações Unidas, tinha como objetivo estabelecer regras globais para reduzir a produção e o descarte de plástico, promovendo reciclagem e alternativas sustentáveis. A proposta era defendida por uma coalizão formada por União Europeia, Reino Unido, Canadá e diversos países africanos e latino-americanos, que desejavam impor controles legais sobre produtos químicos tóxicos usados na fabricação de plásticos e restringir a produção global.
Atualmente, 140 países já implementam algum nível de restrição à fabricação de produtos plásticos, principalmente os de uso único. No entanto, países produtores de petróleo e gás, grandes fornecedores da matéria-prima do plástico, rejeitaram a imposição de limites à indústria. Eles defendem que o tratado deveria focar apenas em regras de reciclagem, gestão de resíduos, reutilização e design dos produtos, alegando preocupações econômicas e de empregos locais.
Motivos do bloqueio e reações
O último rascunho do acordo, já sem a restrição direta à fabricação, reconhecia que os atuais níveis de produção e consumo de plástico são “insustentáveis” e excedem as capacidades de gestão de resíduos. Mesmo assim, países como Índia, Arábia Saudita, Irã, Kuwait e Vietnã insistiram que qualquer decisão só poderia ser tomada por unanimidade, travando o avanço do tratado. O negociador do Kuwait afirmou: “Nossas opiniões não foram refletidas. Sem um escopo acordado, este processo não pode permanecer no caminho certo”. A delegação da China comparou o fracasso das conversas a um revés temporário, enquanto Cuba lamentou a “oportunidade histórica perdida”.
Consequências e próximos passos
O bloqueio ao tratado representa um retrocesso significativo nas ações globais para conter a poluição plástica, dificultando a implementação de medidas eficazes para enfrentar a crise ambiental. Especialistas e ativistas ambientais esperam que novas rodadas de negociações sejam realizadas em breve, buscando um consenso que concilie interesses econômicos e ambientais.
Graham Forbes, do Greenpeace, criticou o impasse: “Estamos andando em círculos. Não podemos continuar fazendo a mesma coisa e esperar um resultado diferente”. Inger Andersen, diretora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, destacou que “avanços significativos foram alcançados”, mas não há previsão para a conclusão do tratado.
Dados sobre a crise do plástico
O mundo produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico novo por ano, e esse número pode crescer 70% até 2040 se não houver mudanças. Mais da metade do plástico é de uso único, e apenas 9% do lixo plástico coletado é realmente reciclado. O restante é descartado em aterros, incinerado ou acaba poluindo solos e oceanos.
Negociações anteriores, como as realizadas na Coreia do Sul, também terminaram sem acordo. Pequenos Estados insulares expressaram frustração com o progresso insuficiente. O debate sobre a necessidade de unanimidade versus decisões por votação segue sendo um dos principais entraves para o avanço do tratado.