Política

Câmara busca aprovar pacote que exige aval para abertura de inquéritos contra parlamentares

Proposta apelidada de pacote da impunidade é criticada por ministros do STF e policiais federais por suposta inconstitucionalidade

A Câmara dos Deputados discute um pacote de medidas que prevê exigir autorização da Mesa Diretora até para abertura de inquéritos policiais contra parlamentares.

Batizada de “pacote da impunidade”, a proposta é considerada inconstitucional por ministros do STF e vista como ameaça ao trabalho da Polícia Federal.

O texto, ainda em negociação, ganhou força após protestos de bolsonaristas na Câmara e pode ser votado rapidamente.

Detalhes do pacote em discussão

O chamado pacote da impunidade surgiu após motim de parlamentares bolsonaristas que ocuparam a mesa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-AL), em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Inicialmente, a proposta previa que a Câmara desse aval apenas à abertura de ação penal contra deputados, mas agora parlamentares querem estender essa autorização até para a abertura de inquéritos policiais.

A negociação envolve também mudanças no foro privilegiado, transferindo processos do STF para instâncias inferiores, e limitações para que medidas judiciais contra parlamentares só sejam cumpridas dentro do Congresso com aval do Legislativo. Entre bolsonaristas, há expectativa de que a mudança retire das mãos de Alexandre de Moraes a ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado envolvendo Bolsonaro.

O texto do pacote ainda não está fechado e será discutido em reunião de líderes na terça-feira (12).

Repercussão e próximos passos

A proposta já chegou ao conhecimento de ministros do STF, que a classificaram como “aberração” e inconstitucional. Na Polícia Federal, o pacote é visto como tentativa de asfixiar o trabalho dos investigadores.

Deputados do PL afirmam que Hugo Motta não terá alternativa senão pautar o pacote, com a anistia aos réus dos atos de 8 de janeiro sendo o próximo passo. Uma liderança do PL defendeu a urgência: “Votação fast food”.

Apesar do estopim ter sido o caso Bolsonaro, parlamentares aproveitam o clima para aprovar medidas que beneficiam políticos investigados por emendas parlamentares. A expectativa é que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Prerrogativas seja pautada na próxima semana, limitando as ações penais e prisões em flagrante de parlamentares.