O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), inicia uma semana crucial após a ocupação da Mesa Diretora no plenário. Deputados cobram dele uma punição exemplar aos envolvidos e votação de projetos em reunião marcada para terça-feira (12). A base governista vê a situação como chance de avançar pautas do governo.
Após uma semana marcada por tensão, Hugo Motta é visto por colegas como responsável por restabelecer a ordem na Câmara. Deputados afirmam que já passou da hora de Motta demonstrar liderança e defendem que ele deve articular uma punição exemplar aos parlamentares que participaram da ocupação.
Na sexta-feira (8), Motta optou por adiar a decisão da Mesa Diretora sobre a suspensão dos deputados envolvidos. Em vez disso, encaminhou representações contra 14 parlamentares à Corregedoria Parlamentar, sob responsabilidade do deputado Diego Coronel (PSD-BA). O presidente aguarda agora o parecer do corregedor antes de enviar os casos ao Conselho de Ética.
Deputados consideram imprescindível que Motta consiga aprovar a pauta que será definida com os líderes partidários na reunião de terça-feira. A votação desses projetos é vista como teste fundamental para sua autoridade.
Críticas à condução da crise
Aliados de Motta apontam falhas em sua atuação, principalmente pela demora em chegar a Brasília após o início da ocupação. O presidente só compareceu à Câmara no dia seguinte e manteve agendas na Paraíba, mesmo diante da crise.
Parlamentares atribuem a ele parte da responsabilidade pelo agravamento da situação. “As pessoas saíram do recesso sem querer ter recesso e, quando voltaram, não tiveram nada. Se a pauta tivesse sido feita, se nós tivéssemos começado a votar e o presidente estivesse na Casa, não iria ter aquela entrada no plenário”, avaliou um líder do Centrão.
A base governista pretende aproveitar o momento para impulsionar projetos de interesse do governo, enquanto a oposição observa atentamente os próximos passos de Motta diante da pressão por uma resposta firme.