O presidente da Câmara, Hugo Motta, discute a suspensão de deputados que participaram da ocupação da Mesa Diretora, ocorrida entre terça (5) e quarta-feira (6), em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
Marcel van Hattem, Marcos Pollon e Zé Trovão são considerados nomes certos para punição devido à atuação ostensiva durante o motim, que durou 36 horas e paralisou os trabalhos legislativos.
A Mesa Diretora avalia aplicar a suspensão máxima prevista no regimento interno, de até 6 meses, aos parlamentares envolvidos.
Detalhes da atuação dos deputados
Segundo interlocutores da Câmara, Zé Trovão impediu fisicamente a passagem do presidente Hugo Motta na escada de acesso à Mesa Diretora, chegando a consultar outros deputados sobre liberar ou não o acesso. Marcos Pollon sentou-se na cadeira do presidente da Câmara, enquanto Marcel van Hattem ocupou outra cadeira na posição da Presidência da Casa. Essas condutas foram consideradas mais ostensivas e individualizadas, tornando os três parlamentares alvos certos de punição.
Discussão sobre o tamanho da suspensão
A Mesa Diretora ainda debate a duração da suspensão, mas a tendência é aplicar o tempo máximo permitido pelo regimento interno da Câmara, que é de 6 meses. A medida visa responder à gravidade do episódio, que paralisou as sessões da Casa e exigiu negociação direta do presidente para retomada dos trabalhos.
Contexto da ocupação bolsonarista
A ocupação da Mesa Diretora do plenário da Câmara teve início na terça-feira (5) e se estendeu até a noite de quarta-feira (6), impedindo o funcionamento das sessões. O protesto foi motivado pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado e investigado por obstrução de processo.
A ação dos aliados de Bolsonaro atrasou votações importantes e forçou negociações para a normalização dos trabalhos legislativos. No Senado, senadores oposicionistas também resistiram a deixar a Mesa durante o mesmo período.
A repercussão do episódio reforça a tensão entre oposição e Mesa Diretora, que busca impor punições exemplares para evitar novos episódios semelhantes.