Economia

Dólar sobe com tensões entre EUA e Brasil e tarifas globais em destaque

Mercado reage ao tarifaço de Trump e à resposta do governo Lula na OMC enquanto Ibovespa e indicadores econômicos refletem o cenário internacional

O dólar iniciou esta sexta-feira (8) em alta de 0,15%, cotado a R$ 5,43, impulsionado pelas crescentes tensões comerciais entre Estados Unidos e Brasil após o tarifaço anunciado por Donald Trump. O Ibovespa abriu às 10h, com o mercado atento aos resultados da Petrobras e à repercussão das novas tarifas.

Impactos do tarifaço e resposta brasileira

O pacote de tarifas imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, entrou em vigor na quinta-feira (7), elevando o imposto médio de importação ao maior nível em um século, segundo a Reuters. Além do Brasil, países como Suíça e Índia tentam negociar condições melhores com o governo norte-americano. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, prevê arrecadação de ao menos US$ 50 bilhões mensais com as tarifas, valor superior aos US$ 30 bilhões de julho. Trump também anunciou tarifas de até 100% para semicondutores e até 250% para medicamentos, condicionando a suspensão à produção em território americano.

Desde quarta-feira (6), o Brasil não avançou em negociações com os EUA, agravando a crise diplomática. O Ministério das Relações Exteriores acionou a OMC contra as tarifas, alegando violação de compromissos assumidos pelos EUA, como o princípio da nação mais favorecida. O presidente Lula afirmou que só dialogará com Trump se houver disposição real e conversou com o premiê indiano Narendra Modi sobre as tarifas e plataformas de pagamento como PIX e UPI. Lula também busca alinhar resposta ao tarifaço com parceiros do Brics e abrir mercados na Índia.

Movimentações no Fed e mercados globais

Trump indicou Stephen Miran para diretor do Federal Reserve, após a renúncia de Adriana Kugler. Miran defende reformas na governança do Fed, incluindo mandatos menores e mais controle presidencial. O índice STOXX 600 subiu 0,92% na Europa, enquanto na Ásia as ações chinesas atingiram o maior nível em três anos e meio, impulsionadas por dados de exportação, mesmo diante de ameaças tarifárias dos EUA. O Banco da Inglaterra reduziu juros para 4%, mas sinalizou cautela em novos cortes.

Indicadores econômicos e repercussão

O dólar acumula queda de 2,20% na semana, 3,18% no mês e 12,25% no ano. Já o Ibovespa registra alta de 3,09% na semana, 2,60% no mês e 13,50% no ano. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,07% em julho, após recuo de 1,80% em junho, acumulando alta de 2,91% em 12 meses, segundo a FGV. O economista Matheus Dias destacou menor queda nos preços ao produtor e impacto de reajustes em jogos lotéricos e energia elétrica nos preços ao consumidor.

Nos EUA, pedidos de seguro-desemprego atingiram o maior nível em um mês, sugerindo estabilidade, mas com menor geração de empregos. Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, afirmou que é cedo para novos cortes de juros, indicando que apenas um corte de 0,25 ponto percentual deve ocorrer neste ano.

Enquanto investidores aguardam acordo entre China e EUA até 12 de agosto, o cenário global segue influenciado por incertezas comerciais e decisões de política monetária.

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