O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá neste mês, em Brasília, os presidentes do Equador, Nigéria e Panamá. As reuniões integram a estratégia do governo brasileiro para diversificar mercados e reduzir a dependência de parceiros tradicionais, após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos.
As visitas são parte de um esforço para fortalecer relações comerciais e institucionais, buscando alternativas para produtos afetados pelo tarifaço norte-americano.
Estratégia para novos mercados
As visitas dos líderes estrangeiros começaram a ser negociadas antes do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas já em um contexto de tensão comercial. O governo brasileiro intensificou a busca por alternativas de mercado para produtos impactados pela sobretaxa, que entrou em vigor recentemente. Lula já visitou Japão, Vietnã, China, Rússia e França neste ano, e planeja viagens à Indonésia, Malásia e Índia nos próximos meses.
Segundo auxiliares de Lula, a agenda internacional ganhou relevância diante da necessidade de não concentrar exportações em poucos países, reduzindo vulnerabilidades econômicas. O objetivo é ampliar a cooperação em áreas como desenvolvimento sustentável, meio ambiente e comércio regional.
Detalhes das visitas
Equador
O presidente Daniel Noboa será recebido em 19 de agosto. O Equador também foi afetado pelo tarifaço dos EUA, mas em menor grau que o Brasil: 15% sobre exportações equatorianas, contra 50% sobre as brasileiras. Em 2024, o comércio bilateral somou US$ 1,09 bilhão, com destaque para exportações brasileiras de papel, veículos, trigo e calçados. Noboa, reeleito em abril, defende reformas econômicas e medidas de segurança mais rígidas.
Nigéria
Bola Ahmed Tinubu chega ao Brasil em 25 de agosto. Em junho, o vice-presidente Geraldo Alckmin liderou missão empresarial à Nigéria, buscando ampliar parcerias. O país africano, maior economia e população do continente, também foi taxado em 15% pelos EUA. Em 2024, o comércio bilateral atingiu US$ 2 bilhões, com exportações brasileiras de açúcares, álcoois e derivados, e importações de adubos, petróleo e gás natural. Tinubu demonstrou interesse em cooperação agrícola com a Embrapa.
Panamá
José Raúl Molino visita Brasília em 28 de agosto, acompanhado de empresários. Em julho, durante a Cúpula do Mercosul, Molino apresentou oportunidades para investidores brasileiros em infraestrutura portuária e turismo. O Panamá também busca adquirir aeronaves da Embraer. Em 2024, o comércio bilateral foi de US$ 934,1 milhões. As importações do Panamá caíram após a proibição da mineração de cobre, mas o fluxo de produtos industriais permanece relevante.
Repercussões e próximos passos
O governo brasileiro destaca a importância de diversificar parceiros para evitar vulnerabilidades diante de medidas protecionistas, como as tarifas dos EUA. As visitas reforçam a cooperação sul-americana e ampliam o diálogo com África e América Central.
Lula planeja novas viagens internacionais, incluindo Indonésia, Malásia e Índia, e deve visitar o Panamá em janeiro de 2026. O presidente do Panamá manifestou interesse em acordos de livre comércio e ampliação do acesso a mercados via aeroporto internacional de Tocumen.
As agendas refletem a busca do Brasil por protagonismo regional e global, com ênfase na inovação agrícola, infraestrutura e comércio sustentável.