Economia

Galípolo diz que tarifaço dos EUA representa chance de proteção ao Brasil

Presidente do Banco Central vê pouca dependência comercial dos EUA como vantagem após sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (11) que o tarifaço dos Estados Unidos aos produtos brasileiros se tornou uma “oportunidade de proteção” para o Brasil.

Segundo Galípolo, a baixa dependência comercial com os EUA, antes vista como desvantagem, agora serve como proteção diante das novas tarifas.

O comentário foi feito durante palestra na Reunião do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Impactos econômicos das tarifas

De acordo com Gabriel Galípolo, o balanço de riscos do Comitê de Política Monetária (Copom) de janeiro já havia considerado os riscos das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donal Trump, prevendo possíveis perdas para a economia brasileira.

Com a aplicação da sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros, Galípolo observou que os questionários pré-Copom indicam que os economistas estão analisando diferentes cenários. Uma das tendências apontadas é que o redirecionamento dos produtos afetados para o mercado interno pode resultar em queda de preços no curto prazo no Brasil.

No entanto, Galípolo alertou que o acirramento das negociações com os EUA pode levar à desvalorização do real frente ao dólar, o que pressionaria a inflação no médio prazo. Ele destacou também que os impactos sobre a atividade econômica, como a possível perda de empregos em setores exportadores, ainda não foram totalmente incorporados às projeções dos economistas.

Política monetária e juros

Sobre a taxa básica de juros (Selic), Gabriel Galípolo descartou a possibilidade de cortes nas próximas reuniões do Copom. Na última reunião, o ciclo de alta da Selic foi interrompido, mantendo a taxa em 15% ao ano.

Galípolo afirmou: “O BC segue vigilante aos sinais econômicos que justifiquem o entendimento de que o patamar da Selic está restritivo o suficiente para levar a inflação à meta. [Esse período] deve perdurar do final deste ano até 2026”.