Política

Trump impõe tarifas e pressiona Brasil México Colômbia e Canadá em disputa por influência

Medidas comerciais dos EUA visam países latino-americanos e Canadá, ampliando tensões políticas e ameaças à soberania nacional

Donald Trump intensificou a pressão sobre Brasil, México, Colômbia e Canadá ao impor tarifas e exigir mudanças políticas. As medidas, que afetam setores estratégicos, são vistas como tentativa dos EUA de ampliar sua influência e desafiar a soberania desses países.

Especialistas apontam que a estratégia de Trump envolve ameaças e negociações, afetando governos de orientação à esquerda e elevando tensões diplomáticas na América Latina e no Canadá.

Disputa por influência e soberania

Países como Brasil, México, Colômbia, Canadá e Panamá foram alvos de medidas comerciais dos EUA, que vão além de questões econômicas e buscam pressionar decisões internas e soberania nacional. Segundo o professor de Relações Internacionais da FGV-SP, Oliver Stuenkel, “é muito mais grave do que qualquer coisa que se possa fazer, uma ameaça inteira ou parcial de anexação de seu território. Se trata não apenas de uma ameaça militar, mas, sim, de uma ameaça existencial”.

No caso do Canadá, Trump chegou a sugerir sua anexação como 51º estado americano, o que fortaleceu o sentimento nacionalista e resultou na vitória do primeiro-ministro Mark Carney. O Canadá rejeitou a proposta, mas segue negociando para evitar novas tarifas. O Panamá também foi pressionado, especialmente pelo controle do canal. Apesar de recusar concessões iniciais, acabou permitindo tropas americanas e facilidades no uso da hidrovia.

México e Colômbia sob pressão

O México foi alvo de críticas sobre imigração e comércio. A presidente Claudia Sheinbaum reafirmou a soberania nacional, mas atendeu a algumas demandas, como reforço militar na fronteira e extradição de líderes de cartéis. Na Colômbia, Trump ameaçou tarifas de até 50% após o presidente Gustavo Petro recusar voos de deportados. Petro reagiu com críticas, mas cedeu à pressão, permitindo a retomada dos voos.

Para a doutora Carolina Pavese, a estratégia de Trump é “escalar para depois desescalar” as tensões, sempre resultando em condições comerciais piores para os países afetados, mesmo quando evitam tarifas.

Brasil enfrenta tarifas inéditas

O Brasil foi o último a ser atingido, com tarifas de 50% sobre produtos estratégicos. A exigência dos EUA envolvia interferência do Executivo no Judiciário, considerada impossível pelo governo brasileiro. Em resposta, o Brasil acionou a OMC, alegando violação de princípios do comércio internacional. A medida é vista como ameaça direta à soberania econômica do país.

A pressão dos EUA ocorre em um contexto de governos de esquerda na América Latina, historicamente mais nacionalistas e resistentes à influência americana. O professor Vinicius Rodrigues Vieira destaca que Trump busca recuperar influência no Hemisfério Ocidental, mirando países relevantes territorial, econômica e populacionalmente.

Segundo Carolina Pavese, interesses estratégicos estão por trás das ações de Trump, como frear a regulamentação das Big Techs, proteger o mercado de operadoras de cartão de crédito, abalar a credibilidade de potências via BRICS e garantir acesso a terras raras. Ela afirma: “A luta do Brasil por sua soberania está apenas no começo e movimentos similares devem acontecer”.

Especialistas avaliam que a pressão política dos EUA deve continuar até as eleições de 2026, podendo aumentar caso um candidato não alinhado a Trump vença. Mesmo países que resistiram inicialmente acabaram cedendo em algum grau, diante dos riscos econômicos e diplomáticos impostos pelas ameaças americanas.

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