As novas tarifas de importação dos Estados Unidos, implementadas por Donald Trump, começaram a valer nesta quinta-feira (7), afetando dezenas de países. O Brasil foi um dos primeiros a sentir o impacto, com sobretaxas iniciadas já na quarta-feira (6). O imposto médio agora atinge o maior patamar em um século.
A medida eleva as tarifas de 10% a 50% e pode pressionar preços de alimentos e outros produtos no Brasil. Diversos países tentam negociar condições melhores com o governo norte-americano.
Negociações e reações globais
Após o início do tarifaço, países como Índia, Canadá, Suíça, África do Sul e Vietnã intensificaram negociações com os Estados Unidos. A Suíça convocou uma reunião emergencial após a presidente Karin Keller-Sutter retornar de Washington sem acordo. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, conversou por telefone com Trump, mas não obteve sucesso imediato, e as negociações continuam em nível técnico.
O Vietnã conseguiu reduzir tarifas de 46% para 20% em abril, mas segue buscando melhores condições. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou que não comprometerá os interesses dos agricultores após a imposição de tarifa de 50% sobre produtos indianos. O governo brasileiro, por sua vez, acionou a OMC contra o tarifaço e o presidente Lula declarou que não buscará contato direto com Trump, mantendo as negociações em nível ministerial. Lula também pretende reunir líderes da Índia e da China para discutir uma resposta conjunta dos BRICS.
Além disso, a Índia anunciou uma visita de Modi à China, a primeira em sete anos, em meio ao aumento das tensões comerciais com os EUA.
Impactos econômicos e projeções
As novas tarifas fazem parte de uma estratégia tarifária ampla dos EUA, abrangendo setores como semicondutores, automóveis, aço, alumínio e produtos farmacêuticos. Trump afirmou que tarifas sobre microchips podem chegar a 100%. A China enfrenta um regime tarifário separado e pode ser alvo de novas tarifas em agosto, caso não haja extensão da trégua negociada recentemente.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, estimou que a arrecadação com tarifas pode ultrapassar US$ 300 bilhões anuais. O imposto médio de importação dos EUA subiu para cerca de 20%, segundo o Atlantic Institute, bem acima dos 2,5% registrados em janeiro.
Dados do Departamento de Comércio indicam que as tarifas já pressionam preços internos, afetando móveis, eletrodomésticos, veículos e outros produtos. Grandes empresas como Caterpillar, Marriott, Molson Coors e Yum Brands relatam aumento de custos. A Toyota espera impacto de quase US$ 10 bilhões e reduziu a previsão de lucro anual em 16%. Outras empresas japonesas, como Sony e Honda, projetam efeitos menores após acordo bilateral com Washington.