Política

Especialistas apontam efeito simbólico em ação do Brasil na OMC contra tarifas de Trump

Decisão brasileira de recorrer à OMC é vista como gesto político e moral diante de barreiras impostas pelos EUA

Especialistas ouvidos pelo g1 consideram que a iniciativa do Brasil de acionar a OMC contra o tarifaço imposto por Donald Trump possui impacto mais simbólico do que prático. A medida, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca marcar posição política diante das tarifas de 50% sobre exportações brasileiras aos EUA.

Desde 2019, o órgão de apelação da OMC está paralisado, reduzindo as chances de resolução efetiva do conflito. Diplomatas e analistas defendem que o gesto brasileiro evidencia princípios do comércio internacional e pode fortalecer alianças com outros países afetados.

Contexto e limitações da OMC

O doutor em Relações Internacionais Hussein Kalout, da Universidade de Lancaster, ressalta que a decisão do Brasil está “ancorada no efeito político e no efeito moral” diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Kalout, também conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), afirma que a consulta à OMC evidencia violações aos princípios do direito do comércio internacional.

Desde 2019, o órgão de apelação do principal mecanismo de resolução de disputas da OMC está paralisado. Donald Trump, ainda em seu primeiro mandato, barrou a nomeação de novos juízes, o que esvaziou o poder da instituição. Segundo Amâncio Jorge, professor de Relações Internacionais da USP, “a OMC está bastante esvaziada, até por uma postura dos EUA. Portanto, é improvável que esse processo tenha bom termo. O organismo de solução de controvérsias está esvaziado, com pouca força e, portanto, efetividade baixa”.

Apesar das limitações, a OMC já foi fundamental em disputas anteriores. Em 2004, o Brasil venceu uma ação contra subsídios ao algodão dos EUA, tendo direito a impor sanções de US$ 830 milhões a produtos norte-americanos.

Leonardo Paz, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destaca que Trump ignora as regras da OMC e prefere negociar bilateralmente. Mesmo assim, considera “acertada” a decisão brasileira, pois demonstra a resiliência da organização. “É se beneficiar da sabotagem que Donald Trump fez”, afirma.

Bastidores e alternativas diplomáticas

A apresentação do recurso à OMC foi uma das medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar conter a implementação das tarifas de 50% sobre exportações brasileiras aos EUA. Diplomatas avaliam que, devido à paralisia do órgão de solução de controvérsias, o gesto tem caráter predominantemente político.

Mesmo que a OMC tome uma decisão, especialistas e diplomatas afirmam que o órgão não tem força para implementar as medidas. Por isso, o recurso é visto como uma forma de marcar posição internacionalmente e denunciar práticas consideradas “arbitrárias”.

Nos bastidores, há a defesa de que o Brasil busque apoio de outros países afetados pelas tarifas. Um exemplo foi o apoio de 40 nações ao discurso do Itamaraty na OMC, criticando as barreiras impostas pelos EUA. A estratégia pode fortalecer a pressão internacional contra as medidas protecionistas e ampliar a legitimidade da posição brasileira no cenário global.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Dependência de fertilizantes russos expõe Brasil a novas tarifas dos EUA

Trump impõe tarifa recorde sobre importações e Brasil é um dos primeiros afetados

Dólar sobe com tensões entre EUA e Brasil e tarifas globais em destaque

Trump impõe tarifas e pressiona Brasil México Colômbia e Canadá em disputa por influência

Governo Lula avalia dificuldade de resposta conjunta do Brics ao tarifaço dos EUA

Trump impõe novas tarifas a países que negociam com a Rússia e pode impactar economia global