Economia

Dependência de fertilizantes russos expõe Brasil a novas tarifas dos EUA

A importação de insumos da Rússia pode elevar custos agrícolas brasileiros diante de sanções e tarifas americanas

O Brasil, grande importador de fertilizantes, depende fortemente da Rússia para suprir sua demanda agrícola. Essa dependência deixa o país vulnerável a tarifas impostas pelos Estados Unidos, que têm ampliado sanções econômicas contra produtos russos.

O impacto pode ser sentido diretamente no custo da produção agrícola nacional, pressionando a rentabilidade dos produtores rurais e elevando preços ao consumidor.

Dependência do Brasil dos fertilizantes russos

O Brasil importa a maior parte dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, sendo a Rússia um dos principais fornecedores. Em 2024, o país foi responsável por 53% do fosfato monoamônico, 40% do cloreto de potássio e 20% da ureia importados pelo Brasil, segundo a consultoria Cogo.

Essa dependência decorre da falta de matérias-primas no país, como nitrogênio e potássio, cujas reservas nacionais são limitadas ou de difícil exploração. O potássio está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, enquanto a indústria nacional de nitrogenados é pequena devido ao alto custo do gás natural.

O solo brasileiro, especialmente no Cerrado, é pobre em nutrientes e sofre com a lixiviação causada pelo clima tropical, o que exige reposição constante de nutrientes e amplia a demanda por fertilizantes.

Impactos das tarifas dos EUA

Os Estados Unidos têm aumentado tarifas sobre produtos russos, incluindo fertilizantes, como parte de sanções econômicas. Caso essas tarifas sejam ampliadas, o Brasil pode enfrentar custos maiores para importar esses insumos, elevando o preço final dos fertilizantes e pressionando a rentabilidade do agronegócio.

Segundo Carlos Cogo, da Consultoria Cogo, a dependência do Brasil da importação torna o país “vulnerável” a aumentos de custos decorrentes de barreiras comerciais e sanções internacionais.

Alternativas e desafios para o Brasil

Trocar a Rússia como principal fornecedor de fertilizantes não é simples. De acordo com Cicero Lima, professor da FGV AGRO, seria necessário reestruturar a logística das compras e negociar novos acordos diplomáticos. Países como Canadá, Marrocos, Nigéria e outros do Oriente Médio podem ser alternativas, mas também enfrentam alta demanda internacional.

O Brasil é o 4º maior consumidor mundial de fertilizantes devido à baixa fertilidade natural de seus solos e à agricultura intensiva, que exige grandes volumes de adubos químicos para manter a produtividade de culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar.

Para reduzir a dependência externa, o governo criou o Plano Nacional de Fertilizantes em 2022, com a meta de produzir entre 45% e 50% do insumo consumido no país até 2050 e previsão de investimentos superiores a R$ 25 bilhões até 2030. Especialistas apontam a necessidade de grandes investimentos, incentivos e melhoria da infraestrutura para ampliar a produção nacional.