O aumento das tarifas nos EUA, de 2% para cerca de 17% neste ano, já gerou mais de US$ 100 bilhões em receitas, segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Apesar do reforço no caixa federal, consumidores americanos ainda não sentiram todo o impacto nos preços. A medida pode adiar cortes de juros e afetar o consumo, trazendo riscos políticos para Trump, que prometeu reduzir custos ao público.
Impactos econômicos e políticos das tarifas
As tarifas elevaram a arrecadação federal para cerca de 5% da receita total, ante 2% em anos anteriores. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, projeta que a receita tarifária atinja US$ 300 bilhões em 2024. Para efeito de comparação, impostos sobre a renda geram US$ 2,5 trilhões anuais. Apesar disso, empresas como Unilever e Adidas já avaliam repassar custos aos consumidores, o que pode elevar preços e reduzir gastos, ameaçando o crescimento econômico.
Trump sugeriu cheques de reembolso para americanos de baixa renda, mas a medida depende do Congresso e reconhece o risco político de onerar a base eleitoral do presidente. O Partido Republicano teme o impacto nas eleições de meio de mandato, já que a promessa era de redução de preços, não de aumento.
Negociações e incertezas nos acordos
Vários acordos comerciais ainda não foram formalizados, especialmente com Canadá, Taiwan e China. Muitos são apenas verbais e carecem de detalhes claros, gerando dúvidas sobre o cumprimento das condições. Líderes estrangeiros negam cláusulas anunciadas por Trump, e há incerteza sobre investimentos e compras prometidas. O mundo evitou uma guerra comercial devastadora, mas parceiros como Canadá e União Europeia buscam novas alianças, desconfiando da confiabilidade dos EUA.
Repercussões globais e efeitos setoriais
As novas tarifas impactam diferentes países de forma desigual. A Alemanha, por exemplo, pode ter redução de mais de meio ponto percentual no crescimento devido às tarifas sobre o setor automotivo. Já a Índia, apesar de tarifas superiores a 25%, sente impacto limitado, pois exportações aos EUA representam apenas 2% do PIB indiano. A busca por fornecedores alternativos, como Vietnã e Filipinas, cresce.
O Reino Unido, pressionado pelas mudanças, busca fortalecer laços com a União Europeia e negociar com a Índia. Para muitos países, a política tarifária dos EUA serve de alerta para reavaliar alianças comerciais.
Perspectivas para a economia dos EUA
O crescimento econômico americano foi impulsionado por exportações antecipadas para evitar tarifas, mas deve desacelerar no restante do ano. O clima de incerteza diminuiu, permitindo que empresas planejem melhor, mas as tarifas médias subiram além do previsto. Analistas como Ben May, da Oxford Economics, alertam para o potencial de “prejudicar” a economia global, elevando preços nos EUA e reduzindo a renda das famílias.
Enquanto Trump celebra as receitas e acordos, os resultados de longo prazo permanecem incertos. Os próprios eleitores do presidente podem ser os mais afetados, com preços mais altos, menos opções e crescimento mais lento.