O ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça, Fernando de Sousa Oliveira, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o então ministro Anderson Torres tentou criar uma nova operação da Polícia Rodoviária Federal para o segundo turno das eleições de 2022.
Oliveira também relatou tentativas da PRF de aumentar verbas sem justificativas plausíveis, levantando suspeitas entre os investigadores.
Declarações sobre a trama golpista
Em depoimento à Polícia Federal, Fernando de Sousa Oliveira detalhou que o comportamento do então ministro Anderson Torres mudou antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Segundo Oliveira, havia a intenção de criar uma operação específica usando a estrutura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para reforçar o policiamento do pleito, o que poderia influenciar o resultado eleitoral.
Oliveira, que é delegado da Polícia Federal, afirmou que a PRF encaminhou ofícios ao Ministério da Justiça solicitando aumento de verbas para ampliar o efetivo durante o segundo turno, mesmo sem necessidade técnica aparente. Ele destacou que os indícios de crimes eleitorais estavam concentrados em centros urbanos e capitais, áreas fora da atribuição da PRF.
Pedidos de verbas sem justificativa
De acordo com o ex-diretor, os pedidos de recursos da PRF chegaram a valores como R$ 1 milhão e R$ 3 milhões. Oliveira afirmou que recomendou a negativa desses pedidos, pois não havia elementos que justificassem o aumento do efetivo ou o empenho solicitado pelo ministro.
Oliveira reforçou que, em sua avaliação técnica, não existia necessidade de implementar recursos adicionais para a PRF no contexto do segundo turno das eleições. Ele explicou que todos os indícios de inteligência recebidos apontavam para crimes eleitorais em áreas urbanas, onde a PRF não teria competência direta para atuar.
O depoimento de Oliveira faz parte de uma investigação mais ampla sobre uma suposta trama golpista envolvendo membros do governo e forças de segurança. As suspeitas sobre o aumento de verbas sem justificativa e a tentativa de criar uma nova operação policial levantaram preocupações entre os investigadores sobre possíveis interferências no processo eleitoral.
O caso segue sob apuração da Polícia Federal, que busca esclarecer o alcance das ações e eventuais responsabilidades dos envolvidos.