A Procuradoria-Geral da República acusou Anderson Gustavo Torres de apresentar um bilhete de passagem falso para justificar sua ausência em 8 de janeiro. O documento, segundo a PGR, não corresponde aos registros da companhia aérea Gol, indicando tentativa de eximir-se de responsabilidade pelos atos golpistas.
Apesar das alegações da defesa, alertas sobre possíveis manifestações violentas já haviam sido enviados à Secretaria de Segurança Pública do DF antes da viagem de Torres.
PGR detalha omissões e falsificação de documento
De acordo com a PGR, o bilhete apresentado por Anderson Torres, então Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, era falso e não constava nos registros oficiais da Gol. A Procuradoria aponta que a falsificação demonstra uma tentativa deliberada de se ausentar do país e se esquivar de responsabilidade pelos acontecimentos de 8 de janeiro.
Relatórios da Força Nacional, recebidos pela Secretaria de Segurança Pública do DF em 6 de janeiro de 2023, já alertavam sobre riscos de manifestações violentas. Outros avisos mencionavam expressões como “Tomada de Poder” e indicavam aumento significativo no número de ônibus com manifestantes chegando à capital.
Mesmo diante desses alertas, a atuação da polícia foi considerada insuficiente, com efetivo reduzido e reforço das forças de segurança ocorrendo apenas após quase duas horas do início dos ataques. Além disso, parte dos comandantes de batalhões da PMDF estava de férias na data dos atos golpistas.
A Procuradoria conclui que Anderson Torres já apresentava histórico de omissões que facilitaram o avanço dos atos golpistas. A tese da defesa, de que ele estaria no “lugar errado, na hora errada”, foi descartada pelo Ministério Público, que vê conivência do ex-secretário com os organizadores das invasões.
Reação do governador do DF e repercussão
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, declarou que foi surpreendido ao saber da viagem de Anderson Torres para os Estados Unidos, informação que recebeu apenas em 7 de janeiro. Ibaneis afirmou ter sido “pego de surpresa” e citou quebra de confiança como justificativa para a exoneração de Torres.
Segundo análise do celular do governador, apenas um dia antes dos ataques, Torres compartilhou o contato do substituto com Ibaneis Rocha. Para a Procuradoria-Geral da República, esse comportamento é visto como negligência grave de suas funções.
A investigação segue analisando o papel de Torres e de outros agentes públicos na condução das ações e omissões que permitiram o avanço dos atos golpistas em Brasília.