Os Estados Unidos suspenderam os vistos de Alexandre de Moraes, outros sete ministros do STF e do procurador-geral Paulo Gonet. A medida foi anunciada por Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, na sexta (18). Ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux não foram incluídos na lista. O presidente Lula manifestou apoio aos atingidos e criticou a decisão americana.
Detalhes da suspensão dos vistos
Além de Alexandre de Moraes, os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso tiveram seus vistos suspensos pelos Estados Unidos, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A decisão, anunciada por Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, incluiu também familiares imediatos dos atingidos. Segundo Rubio, Trump determinou que o governo norte-americano responsabilize estrangeiros acusados de censura à expressão protegida nos EUA.
Rubio afirmou na rede social X que a “caça às bruxas política” de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um ambiente de perseguição e censura que ultrapassa as fronteiras brasileiras. A decisão coincidiu com a determinação de Moraes para o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro, acusado de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa e atentado à soberania. A Procuradoria-Geral da República apontou risco concreto de fuga do ex-presidente.
Reação do governo brasileiro e de entidades
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade e apoio aos ministros do STF atingidos, classificando a medida dos Estados Unidos como “arbitrária e sem fundamento”. Lula destacou que a interferência estrangeira no sistema de Justiça brasileiro é inaceitável e fere princípios de respeito e soberania entre nações. Ele também se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir a crise.
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou nota repudiando a decisão americana, classificando-a como tentativa de intimidação e desrespeito à soberania nacional. A entidade considerou a medida desproporcional e incompatível com o histórico de Paulo Gonet, ressaltando sua atuação em defesa da Constituição e das leis brasileiras. A ANPR reforçou a independência do Ministério Público e do Judiciário no Brasil e afirmou que acompanha o caso, prestando apoio institucional ao procurador.