A Procuradoria Geral da República declarou que Jair Bolsonaro “desejou, programou e provocou” os distúrbios de 8 de janeiro, embora esse não fosse seu objetivo final.
As alegações finais da investigação sobre a tentativa de golpe foram apresentadas ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira.
Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, sem Bolsonaro os atos sequer teriam sido cogitados.
Conexão entre Bolsonaro e os atos de 8 de janeiro
De acordo com a PGR, a ligação entre o ex-presidente e os eventos de 8 de janeiro é essencial para caracterizar o crime de tentativa de golpe, que requer comprovação de violência ou grave ameaça. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que Bolsonaro teve papel central ao desejar, programar e provocar os atos violentos.
As alegações finais foram entregues pelo Ministério Público ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira, no âmbito da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.
8 de janeiro como elo de ações anteriores
Segundo o Ministério Público, o 8 de janeiro funcionou como elemento de ligação entre diversas atitudes de Bolsonaro durante seu mandato, incluindo reuniões com embaixadores e ataques ao STF e ao sistema eleitoral. “O evento dramático auxiliou a ressignificar toda uma série de acontecimentos pretéritos, que antes pareciam desconectados entre si. Atos que, até então, poderiam parecer reprováveis apenas do ponto de vista moral ou eleitoral, foram encaixados dentro de um plano maior de ruptura institucional”, declarou Gonet.
Estrategia e tentativa de intervenção militar
A Procuradoria apontou que Bolsonaro e seus aliados apostavam em uma “convulsão popular” para forçar uma intervenção militar no governo Lula. A estratégia previa que o Exército fosse chamado em um cenário de caos social.
Mesmo após o fracasso na tentativa de convencer autoridades do Exército e da Aeronáutica em reuniões fechadas, o grupo conspirador via utilidade no estabelecimento de instabilidade social para justificar medidas excepcionais e provocar uma possível intervenção do Exército.