Um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que somente 12% dos maiores municípios brasileiros realizam investimentos considerados adequados em saneamento básico. O levantamento avaliou a aplicação de recursos entre 2019 e 2023, destacando desafios na universalização dos serviços de água e esgoto.
Segundo o relatório, a maioria das cidades enfrenta dificuldades para investir o suficiente, impactando diretamente a qualidade de vida da população urbana. Especialistas apontam a necessidade de maior transparência e planejamento estratégico para reverter o quadro.
Investimentos insuficientes e impactos
O estudo revela que a maior parte dos municípios analisados não consegue alocar recursos de forma eficiente, resultando em infraestrutura precária, deficiências nos setores de saúde e educação e problemas de mobilidade urbana. Apenas 12 cidades, entre os mais populosos do país, investem acima da média ideal para a universalização dos serviços de água e esgoto.
Municípios com melhor desempenho
Entre os destaques positivos estão Campinas (SP), Limeira (SP), Niterói (RJ), São José do Rio Preto (SP), Franca (SP), Aparecida de Goiânia (GO), Goiânia (GO), Santos (SP), Uberaba (MG), Foz do Iguaçu (PR), Uberlândia (MG) e Jundiaí (SP). Dos 20 primeiros colocados no ranking de 2025, nove são de São Paulo, cinco do Paraná, três de Minas Gerais, dois de Goiás e um do Rio de Janeiro.
Municípios com pior desempenho
Entre os 20 piores estão Bauru (SP), Olinda (PE), Recife (PE), Paulista (PE), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Manaus (AM), São João de Meriti (RJ), Jaboatão dos Guararapes (PE), Duque de Caxias (RJ), São Luís (MA) e Várzea Grande (MT). Oito desses são capitais, incluindo Recife, Maceió, Manaus, São Luís, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho. Quatro estão no Rio de Janeiro, quatro em Pernambuco e três no Pará, com os demais distribuídos por outras regiões.
Investimento médio e desafios
O valor considerado necessário para universalizar os serviços é de R$ 223 por habitante ao ano. Entre os 20 melhores municípios, o investimento médio foi de R$ 176,39 por habitante entre 2019 e 2023, cerca de 20% abaixo do ideal, mas suficiente devido ao estágio avançado de cobertura. Já nos 20 piores, o investimento foi de apenas R$ 78,40 por habitante, 65% abaixo do necessário, o que indica urgência de ação dos gestores.
Indicadores de cobertura e perdas
A média de cobertura de abastecimento de água nos 100 municípios mais populosos é de 93,91%, mas dez cidades têm menos de 80% de cobertura, sendo Porto Velho (RO) a pior, com apenas 35,02%. No esgotamento sanitário, a média é de 77,19%, com Santarém (PA) registrando só 3,77%. O tratamento de esgoto tem média nacional de 65,11%, com cinco cidades tratando menos de 10% dos efluentes.
As perdas na distribuição de água permanecem altas, com média de 45,43% entre os 100 maiores municípios, bem acima do limite aceitável de 25%.
Diagnóstico e perspectivas
Para Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, o país ainda está distante das metas de universalização: “Tivemos apenas uma leve evolução no investimento em saneamento básico, que subiu de R$ 111 para R$ 126 por habitante ao ano. Ainda é muito abaixo do necessário”, afirmou.