Meio ambiente

Falta de saneamento básico agrava crise climática e saúde pública no Brasil

Emissão de gases, poluição e doenças mostram ligação entre infraestrutura precária e mudanças climáticas

A ausência de saneamento básico no Brasil não é apenas um desafio de saúde pública, mas também um fator que intensifica a crise climática. A falta de coleta e tratamento de esgoto contribui para a emissão de gases de efeito estufa e ameaça ecossistemas essenciais.

Dados do Instituto Trata Brasil apontam que 45% da população ainda vive sem coleta de esgoto e 48% sem tratamento, agravando problemas ambientais e sociais.

Como o saneamento básico impacta o clima

O esgoto não tratado libera metano, um gás com potencial de aquecimento até 28 vezes maior que o dióxido de carbono. Esse processo ocorre quando os dejetos se decompõem sem tratamento, aumentando as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a poluição das águas causada pelo despejo de esgoto afeta ecossistemas que desempenham papel crucial na regulação do clima.

O Brasil despeja diariamente o equivalente a 5.200 piscinas olímpicas de esgoto bruto na natureza, contaminando solos, rios, lagos e praias. Esse cenário não só prejudica o meio ambiente, mas também contribui para a degradação de habitats naturais e ameaça a biodiversidade.

Desafios para a universalização do saneamento

Apesar de avanços pontuais, milhões de brasileiros seguem sem acesso a serviços básicos de saneamento. Entre os obstáculos estão investimentos insuficientes, falta de planejamento e desigualdades regionais, que dificultam a expansão dos sistemas de coleta e tratamento de água e esgoto.

Soluções e compromissos na COP-30

Durante a COP-30, países debatem a inclusão do saneamento básico nas estratégias climáticas, buscando financiamento e cooperação internacional para acelerar a universalização do acesso e reduzir as emissões relacionadas.

Belém, cidade-sede da COP-30 em novembro, ilustra o desafio: cerca de 80% da população local não tem coleta de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil. A expectativa é que a atenção global à Amazônia impulsione ações práticas para enfrentar esse problema.

Impactos na saúde pública

A exposição ao esgoto gera graves consequências sanitárias. Em 2024, doenças como diarreia, verminoses, infecções de pele e arboviroses internaram 344 mil brasileiros e causaram mais de 11,5 mil mortes, conforme levantamento do Instituto Trata Brasil. “Quando vamos à praia e há surto de viroses, muitas vezes isso vem do contato com água contaminada pela ausência de coleta e tratamento de esgoto”, explica Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.

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