O setor de saneamento básico brasileiro investiu R$ 29,1 bilhões em 2024, terceiro recorde anual consecutivo, aponta o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, divulgado nesta segunda-feira (10) pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon).
Apesar do avanço financeiro, a universalização segue distante: dos 5.571 municípios do país, apenas 780 garantem água encanada todos os dias e só 321 tratam integralmente o esgoto coletado.
Investimentos puxados por leilões
O valor de R$ 29,1 bilhões investidos em 2024 representa alta de 9% em relação a 2023. Segundo a Abcon, o crescimento está diretamente ligado à realização de leilões e à ampliação da participação privada no setor de saneamento.
Entre 2020 e junho de 2026, o Brasil realizou 70 leilões, que resultaram na contratação de mais de R$ 227 bilhões em investimentos e alcançaram cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios. Outros 31 projetos estão em estruturação, com previsão de R$ 32 bilhões aplicados em 636 municípios.
Esgoto ainda é o maior gargalo
Mesmo com o volume recorde de recursos, o país ainda trata pouco mais da metade do esgoto que produz: 51,8% em 2024. Entre 2023 e 2024, o volume tratado cresceu 5%, o equivalente a cerca de 1,9 milhão de piscinas olímpicas.
Um levantamento do Instituto Trata Brasil divulgado em julho já apontava que, apesar dos recordes anuais, o investimento por habitante segue bem abaixo dos R$ 225 considerados necessários para universalizar água e esgoto até 2033, prazo definido pelo Marco Legal do Saneamento.
O que muda com o Marco Legal
Sancionado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), o Marco Legal do Saneamento estabelece estímulos à presença do setor privado e prevê que a rede de água potável e coleta de esgoto alcance índices próximos a 100% da população até 2033.
Desde a aprovação da lei, o número de domicílios com fornecimento diário de água pela rede de distribuição cresceu 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões. Os 31 projetos em estruturação para os próximos anos devem beneficiar cerca de 11,9 milhões de brasileiros adicionais.
A distância entre o recorde nacional e a realidade local, porém, é expressiva. Levantamento divulgado em março mostrou que metade das cem maiores cidades do país ainda investe menos de R$ 100 por habitante ao ano em saneamento, menos da metade do valor considerado necessário para cumprir a meta de universalização.