Meio ambiente

Unicef aponta alta vulnerabilidade ambiental em 1 a cada 17 municípios do Brasil

Norte lidera ranking de riscos climáticos e sanitários que ameaçam crianças e adolescentes no país
Crianças na Região Norte simbolizam a vulnerabilidade ambiental em municípios brasileiros apontada pelo Unicef

Uma em cada 17 cidades brasileiras acumula problemas graves de saneamento, exposição a eventos climáticos extremos e má qualidade do ar, segundo plataforma lançada nesta quinta-feira (23) pelo Unicef em parceria com a Vital Strategies.

O levantamento avaliou os 5.570 municípios do país em 14 indicadores ambientais e identificou 333 cidades com vulnerabilidade severa e multidimensional para crianças e adolescentes.

Norte concentra os piores indicadores do país

Os dados apontam que a região Norte lidera a concentração de indicadores de alta prioridade, seguida por Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Segundo o Unicef, o cenário reflete a combinação de baixa cobertura de saneamento, forte pressão ambiental e condições climáticas extremas que atingem o território da Amazônia Legal.

Não por acaso a região recebeu apenas R$ 5,3 bilhões em investimentos em saneamento desde 2020 — uma fração dos recursos concentrados no Sudeste, mesmo com o país ainda distante da meta de universalização do saneamento até 2033.

Como funciona a metodologia

A plataforma cruza 14 indicadores distribuídos em quatro eixos — ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana — e classifica cada município como alta, média ou baixa prioridade em cada um deles. Municípios com dez ou mais indicadores em alta prioridade são considerados de vulnerabilidade severa; apenas 108 cidades (1,9%) não têm nenhum indicador nessa faixa.

Eventos climáticos extremos agravam o quadro

O alerta do Unicef reforça um diagnóstico já preocupante sobre o despreparo do país diante do clima extremo. Um estudo em escala nacional atribuiu cerca de 120 mil mortes a ondas de calor no Brasil entre 2000 e 2019, e 66% dos municípios ainda não têm planos estruturados para enfrentar o fenômeno.

Para os organizadores da plataforma, os problemas de infraestrutura ambiental e urbana estão interligados e não podem ser tratados de forma isolada. Cada uma das quatro áreas avaliadas apresenta padrões geográficos próprios, o que exige políticas públicas territorializadas, adaptadas à realidade de cada região.

A expectativa do Unicef e da Vital Strategies é que a ferramenta ajude prefeituras a definir prioridades, direcionar investimentos e fortalecer ações de proteção a crianças e adolescentes diante dos riscos climáticos e ambientais.