Mais de dois bilhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável gerida de forma segura, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (26) pela Organização Mundial da Saúde e Unicef. O estudo alerta para o ritmo lento dos avanços e o risco de não atingir a meta de acesso universal até 2030.
O documento destaca que 106 milhões de pessoas seguem dependentes de água superficial, enquanto 1,2 bilhão conquistaram acesso a saneamento seguro desde 2015.
Panorama global do acesso à água
De acordo com o relatório, uma em cada quatro pessoas no mundo não teve acesso, em 2023, à água potável administrada de maneira segura. O levantamento aponta que mais de 100 milhões de pessoas ainda dependem de águas superficiais, provenientes de rios, lagoas e canais, situação que expõe bilhões ao risco de doenças.
O estudo conjunto da OMS e do Unicef indica que a meta de acesso universal à água potável até 2030 está cada vez mais distante. “Água, saneamento e higiene não são privilégios. São direitos humanos fundamentais”, afirmou Rüdiger Krech, diretor de Meio Ambiente e Mudança Climática da OMS. Ele reforçou a necessidade de acelerar as ações, principalmente para comunidades marginalizadas.
O relatório analisou cinco níveis de serviço de fornecimento de água: “gestão segura” (água potável no local e livre de contaminação), “básico” (fonte melhorada em até 30 minutos), “limitado” (tempos de espera maiores), “não melhorado” (poço ou fonte sem proteção) e “água superficial”.
Desigualdades regionais e avanços desde 2015
Desde 2015, 961 milhões de pessoas passaram a ter acesso à água potável gerida de forma segura, elevando a cobertura global de 68% para 74%. Dos 2,1 bilhões ainda sem acesso, 106 milhões dependem de águas superficiais, número que caiu 61 milhões em uma década. O número de países que eliminou o uso de águas superficiais para consumo subiu de 142 para 154.
Em 2024, apenas 89 países contam com serviço básico de fornecimento de água potável, incluindo 31 que atingiram acesso universal a serviços administrados de forma segura. Por outro lado, 28 países, concentrados principalmente na África, ainda têm ao menos um quarto da população sem acesso a serviços básicos.
No saneamento, 1,2 bilhão de pessoas conquistaram acesso a serviços seguros desde 2015, elevando a cobertura de 48% para 58%. O número de pessoas que precisam defecar ao ar livre caiu para 354 milhões. No mesmo período, 1,6 bilhão passaram a ter acesso a serviços básicos de higiene, como local para lavar as mãos com água e sabão, alcançando 80% da população mundial.
Cecilia Scharp, diretora do programa WASH do Unicef, destacou que a falta de acesso prejudica saúde, educação e futuro das crianças, especialmente das meninas, que enfrentam dificuldades adicionais. “No ritmo atual, a promessa de acesso à água potável e saneamento para cada criança está cada vez mais longe”, concluiu.