A tarifa de importação sobre o etanol brasileiro, implementada durante o governo Trump, segue dificultando a entrada do produto nos Estados Unidos. O Brasil, segundo maior produtor mundial, enfrenta queda nas exportações para o mercado americano, que precisa do biocombustível nacional para cumprir metas ambientais.
Produtores brasileiros buscam alternativas e novos mercados diante da taxação, enquanto especialistas avaliam possíveis mudanças futuras no cenário comercial entre os dois países.
Impactos da tarifa americana
A tarifa de 2,5% sobre o etanol importado dos Estados Unidos foi criada para proteger a indústria doméstica americana, mas acabou prejudicando diretamente os exportadores brasileiros. O Brasil, principal fornecedor de etanol aos EUA, registrou uma redução significativa nas exportações para o país norte-americano, obrigando produtores nacionais a diversificarem estratégias e buscarem novos mercados.
Apesar da tarifa ainda vigente, especialistas apontam que negociações e acordos comerciais podem modificar o cenário, permitindo uma possível retomada das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Consequências para o mercado americano
Mesmo sendo o maior produtor global de etanol, os Estados Unidos dependem do etanol brasileiro para cumprir metas de redução de gases de efeito estufa, estabelecidas por programas federais e estaduais. Com a taxação de 50% imposta ao Brasil, o biocombustível nacional perde espaço, e os americanos podem importar menos etanol, dificultando o cumprimento das metas ambientais.
Por que o etanol brasileiro é importante para os EUA?
Os Estados Unidos possuem programas de incentivo aos biocombustíveis, como o Renewable Fuel Standard e projetos estaduais, a exemplo da Califórnia. O etanol brasileiro é considerado mais sustentável, pois a indústria nacional utiliza o bagaço da cana-de-açúcar para gerar energia elétrica e vapor, resultando em emissões de CO2 menores em comparação ao etanol americano, que depende de gás natural e da rede elétrica local.
Segundo a Unica, o etanol brasileiro emite 21 gramas de CO2 por megajoule de energia, enquanto o americano emite 60 gramas. Essa diferença faz com que o produto brasileiro seja fundamental para o cumprimento das metas de descarbonização nos EUA. Caso as importações diminuam, participantes dos programas de incentivo a biocombustíveis americanos terão menor remuneração, impactando especialmente o programa nacional.
Brasil diversifica mercados
Antes mesmo das tarifas, a indústria de etanol do Brasil já buscava novos mercados, como o Japão, que decidiu misturar 10% de etanol na gasolina até 2030 e 20% até 2040. Segundo Gussi, o Japão considerou o etanol uma solução pronta, barata, rápida e eficaz para descarbonizar o transporte. As exportações efetivas para o Japão devem começar nos próximos anos, quando a mistura na gasolina for implementada.