O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reuniu-se nesta sexta-feira (11) com Gabriel Escobar, da Embaixada dos EUA, para tratar da tarifa de 50% imposta por Donald Trump a produtos brasileiros.
Tarcísio voltou a responsabilizar o governo federal pela medida e afirmou que buscará diálogo com empresas paulistas para enfrentar os impactos econômicos.
O presidente Lula defendeu reciprocidade e prometeu responder com tarifas equivalentes, caso não haja acordo com os EUA.
Reunião e repercussão política
Durante o encontro em Brasília, Tarcísio de Freitas discutiu com Gabriel Escobar as consequências da tarifa para a indústria e o agronegócio brasileiro, além dos reflexos para empresas americanas. O governador declarou que abrirá diálogo com empresas de São Paulo, fundamentando-se em dados e argumentos consolidados para buscar soluções. “É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa”, afirmou em publicação no X.
A Embaixada dos EUA confirmou a reunião e destacou que diplomatas americanos se reúnem regularmente com governadores brasileiros para promover interesses empresariais e a cooperação bilateral.
Na quinta-feira (10), Tarcísio já havia responsabilizado o governo Lula, alegando que o presidente colocou sua ideologia acima da economia. Ele, aliado de Jair Bolsonaro e cotado para disputar a presidência em 2026, atribuiu a decisão de Trump ao alinhamento do Brasil com países autoritários e à defesa da censura.
Resposta do governo federal
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, rebateu as críticas, acusando Tarcísio e aliados de Bolsonaro de priorizarem interesses políticos sobre os do país. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ironizou o governador, dizendo que ele é candidato “a vassalo”.
O presidente Lula declarou que o Brasil deve aplicar reciprocidade: “Taxou aqui, a gente taxa lá”. Ele afirmou que o país não aceitará ser tutelado por ninguém e que a resposta será baseada na Lei da Reciprocidade Econômica.
Impactos econômicos e contexto internacional
A tarifa de 50% anunciada por Donald Trump é a mais alta entre as novas taxas impostas a exportações brasileiras, afetando setores como petróleo, aço, carne, café e celulose. Economistas apontam para aumento da oferta interna e possível queda nos preços locais de alguns produtos, mas entidades da indústria e agropecuária alertam para riscos de desemprego.
Motivações políticas e reação internacional
Especialistas destacam o caráter político da decisão de Trump, que citou o julgamento de Bolsonaro no STF como motivo para a medida. O economista Paul Krugman lembrou que os EUA já usaram tarifas para fins políticos anteriormente. Na carta enviada a Lula, Trump justificou a tarifa também por alegados ataques do Brasil à liberdade de expressão e eleições livres.
Apesar das alegações de Trump de que o Brasil gera déficits comerciais aos EUA, dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que, desde 2009, o Brasil registra déficits com os americanos, acumulando US$ 90,28 bilhões até junho de 2025.
Reações e desdobramentos
O presidente Lula reafirmou a soberania nacional e a competência exclusiva da Justiça brasileira no julgamento dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023. Ele também respondeu às críticas sobre liberdade de expressão, afirmando que todas as empresas devem seguir a legislação brasileira.
Licenciado do mandato, Eduardo Bolsonaro está nos EUA, sob investigação por possível influência no governo Trump para atrapalhar processos contra seu pai. O episódio amplia a tensão política e comercial entre Brasil e Estados Unidos.