Economia

China reage e acusa EUA de coerção após tarifaço de Trump ao Brasil

Governo chinês critica aumento de 50 nas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e alerta para riscos de interferência

O Ministério das Relações Exteriores da China criticou nesta sexta-feira (11) a tarifa de 50% imposta por Donald Trump a produtos brasileiros, acusando os EUA de usar medidas comerciais como ferramenta de coerção.

A reação ocorre após o anúncio do novo tarifaço, que gerou crise diplomática entre Washington e Brasília e preocupação entre empresas brasileiras.

Críticas da China e impacto diplomático

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China declarou que tarifas não deveriam ser usadas para coerção ou interferência em assuntos internos de outros países. Esta foi a primeira manifestação de Pequim após o tarifaço de Trump, que elevou a tensão entre Brasil e Estados Unidos.

O aumento das tarifas, anunciado por Trump em carta pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevê a aplicação de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA a partir de 1º de agosto. Trump justificou a medida citando o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no STF e afirmou que a relação comercial entre os dois países é “injusta”.

Reação do governo brasileiro

Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser tutelado e responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Ele também destacou que o processo judicial sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 é competência exclusiva da Justiça brasileira.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o Brasil acumula déficits comerciais com os EUA desde 2009, totalizando US$ 90,28 bilhões até junho de 2025.

Histórico de disputas comerciais

China e EUA já travaram uma disputa semelhante no início do ano, marcada por retaliações mútuas e elevação das tarifas a patamares de até 145% sobre produtos chineses e 125% sobre bens americanos. Apenas após meses de negociações, as tarifas foram parcialmente reduzidas.

Consequências econômicas

O tarifaço de Trump preocupa empresas brasileiras, que temem prejuízos e perda de empregos, já que os EUA são o segundo maior comprador da carne nacional. O aumento das tarifas pode encarecer alimentos como café e carne bovina nos EUA, pressionando também os consumidores americanos.

Repercussão política

Líderes da oposição brasileira admitiram que a medida representa um revés de imagem e pode aprofundar divisões internas. O episódio também reacendeu o debate sobre o papel dos EUA no cenário internacional e sua relação com aliados e rivais.