O economista norte-americano Paul Krugman voltou a criticar as tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos ao Brasil nesta sexta-feira (11).
Em artigo, o Nobel de Economia classificou a medida de Donald Trump como “descaradamente ilegal” e sem justificativa econômica, acusando o republicano de tentar interferir na política brasileira.
Krugman destacou que a legislação dos EUA permite tarifas, mas exige justificativas específicas, o que, segundo ele, não ocorreu neste caso.
Argumentos de Paul Krugman
Em seu artigo publicado nesta sexta-feira (11), Paul Krugman afirmou que as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil são “descaradamente ilegais” e que a decisão “não tem nada a ver com economia”. O economista destacou que a legislação dos Estados Unidos realmente concede ao Poder Executivo ampla margem para impor tarifas, sem necessidade de aprovação legislativa adicional.
No entanto, Krugman ressaltou que essas tarifas só podem ser aplicadas com base em justificativas específicas, e não de maneira arbitrária. Para ele, a carta enviada pelo governo americano representa “basicamente uma confissão” de que as tarifas não têm base econômica, o que, segundo Krugman, “não é permitido legalmente”.
Reações políticas e defesa de Bolsonaro
Nesta sexta-feira (11), o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as novas taxas “em algum momento, mas não agora”. Trump também alegou que está “tratando o presidente Bolsonaro de forma muito injusta”.
Trump tem defendido o ex-presidente brasileiro em suas redes sociais, sugerindo que Jair Bolsonaro está sendo perseguido e utilizando a expressão “caça às bruxas” para descrever o julgamento do ex-presidente, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
Em resposta, Lula declarou que o processo judicial sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 é de competência exclusiva da Justiça brasileira, sem espaço para ingerências externas. “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, afirmou Lula em manifestação oficial.
Em entrevista ao Jornal Nacional, Lula reforçou que o Brasil está disposto a negociar, mas exige respeito às decisões nacionais e admitiu a possibilidade de responder com tarifas equivalentes caso não haja acordo. “É importante a gente deixar claro para opinião pública que não é uma taxação ao Brasil. Ele vem taxando todos os países do mundo desde que tomou posse. É um direito dele, mas é um direito dos países reagir”, disse Lula.