O presidente Lula afirmou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
A medida ocorre em meio ao enfraquecimento do órgão internacional, que enfrenta paralisação de seu principal mecanismo de resolução de disputas desde 2019.
Especialistas destacam que o cenário atual dificulta a solução de conflitos comerciais globais.
A OMC foi criada para reduzir barreiras e promover regras claras no comércio internacional, garantindo diálogo e solução de conflitos. Porém, após três décadas, o órgão enfrenta um período de fragilidade institucional. O embaixador Roberto Azevêdo, diretor da OMC entre 2013 e 2020, explicou em entrevista ao podcast O Assunto, em abril, que o órgão de apelação está paralisado desde 2019. Isso ocorreu porque Donald Trump, ainda em seu primeiro mandato, bloqueou a nomeação de novos juízes, impedindo o funcionamento do principal mecanismo de resolução de disputas.
Nesse contexto, o Brasil se vê envolvido em uma guerra comercial que inclui também a China e os Estados Unidos de Trump, agora em seu segundo mandato. Sem juízes e sem regras atualizadas, prevalece a “lei da selva”, segundo Azevêdo, com consequências globais. Ele destaca que as regras da OMC foram criadas antes do surgimento da internet, do comércio eletrônico e do espaço digital, tornando o sistema desatualizado diante das mudanças no cenário comercial mundial.
A entrada da China na OMC em 2001 alterou profundamente o equilíbrio global, transformando o país na maior potência comercial, o que é visto por Trump como prejudicial aos EUA. Os americanos acusam a China de práticas desleais, enquanto Azevêdo ressalta a necessidade urgente de modernização das regras do comércio internacional.
Após o anúncio da tarifa de Trump, o Ministério das Relações Exteriores da China criticou a medida, afirmando que as tarifas “minam a ordem do comércio internacional”. A crítica evidencia o impacto global das decisões dos EUA e a crescente tensão entre as principais potências comerciais.
Enquanto isso, Trump declarou que deve conversar com Lula “em algum momento, mas não agora”, indicando que não há previsão imediata para diálogo entre os dois líderes sobre o tema. O cenário reforça a dificuldade de negociações diretas e a limitação dos mecanismos multilaterais para resolver disputas comerciais.
A crise na OMC e a escalada de medidas protecionistas sugerem desafios crescentes para países como o Brasil, que dependem de regras estáveis para acessar mercados internacionais.