A safra 2024/25 de suco de laranja do Brasil registrou receita recorde de US$ 3,48 bilhões, mesmo com o menor volume exportado em quase 30 anos. O setor teme queda na demanda dos Estados Unidos devido ao aumento das tarifas de importação, que podem chegar a 50%.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) destaca que a oferta restrita sustentou os embarques, apesar das incertezas no consumo externo e dos desafios sanitários, como o greening.
Receita recorde em meio a desafios
De acordo com o Cepea/Esalq, a receita das exportações brasileiras de suco de laranja na safra 2024/25 cresceu 28,4% em relação ao ciclo anterior, totalizando US$ 3,48 bilhões. O volume exportado, porém, foi o menor em quase três décadas, reflexo de uma safra considerada turbulenta por pesquisadores da Esalq-USP. O impacto da elevação de 10% nas tarifas foi minimizado pela oferta restrita, que sustentou os preços e os embarques.
Apesar dos bons números, agentes do setor de citricultura consultados pelo Cepea demonstram preocupação com a recuperação da demanda internacional. “Ora devido à estagnação do consumo, ora pelos efeitos ainda indefinidos dos aumentos tarifários implementados pelo governo Trump sobre produtos brasileiros”, analisam os pesquisadores.
O Centro de Pesquisas ressalta que a capitalização obtida com as divisas das exportações pode ser fundamental para enfrentar desafios futuros, especialmente diante da perspectiva de aumento das tarifas para até 50% e de maior produção nacional nas próximas temporadas.
Impacto das tarifas e contexto internacional
Os Estados Unidos tornaram-se mais dependentes do suco brasileiro após queda acentuada na produção doméstica, causada por furacões, baixas temperaturas e a doença greening. O estado da Flórida, responsável por 90% do suco de laranja americano, teve retração de 28% na safra 2024/25. O preço da lata de 473 ml atingiu o recorde de US$ 4,49 em fevereiro, cerca de R$ 24,84.
Greening e combate em Limeira
O greening, bactéria considerada a mais destrutiva da citricultura mundial, causa folhas amareladas e flores secas, comprometendo a produção. A doença é transmitida pelo psilídeo, inseto vetor, e regiões como Limeira, Avaré e Bebedouro concentram as maiores populações desse inseto, segundo Guilherme Rodriguez, do Fundecitrus.
Desde junho de 202, Limeira, importante polo produtor de laranja em São Paulo, realiza campanha para combater o greening. A ação incentiva a substituição das murtas (Murraya paniculata), plantas ornamentais que servem de hospedeiras para a bactéria transmissora.
Regiões afetadas e ações
A prefeitura de Limeira identificou maior incidência de murtas em áreas urbanas centrais e bairros antigos, onde a espécie foi usada como cerca viva e arborização. O objetivo é alertar e engajar a população no combate à doença, preservando a citricultura local.
Repercussão política e econômica
O anúncio das tarifas gerou manifestações de apoio de brasileiros nas redes sociais. No campo político, a situação de Eduardo Bolsonaro se agravou após ele agradecer Donald Trump pelo tarifaço, enquanto a Justiça investiga possível influência sobre processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.