O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira (2) que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia será o maior da história. A fala ocorreu em entrevista ao Jornal da Manhã, na TV Bahia, após Lula participar das celebrações do Dois de Julho em Salvador.
Na quinta-feira (3), Lula viaja à Argentina para um encontro de chefes de Estado, onde assumirá a presidência rotativa do Mercosul até o fim do ano. O acordo, negociado há mais de 25 anos, pode ser finalmente concluído, segundo o presidente.
Negociações históricas e desafios para ratificação
O acordo entre Mercosul e União Europeia está em negociação desde 1999 e foi concluído em 2019, entrando em fase de revisão. Essa etapa só foi finalizada em 2024, durante a cúpula do bloco no Uruguai. Se aprovado, será o maior tratado de livre comércio do mundo, abrangendo 32 países e 780 milhões de pessoas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, esteve no Uruguai na quinta-feira (5) para acompanhar a reunião do bloco sul-americano. No entanto, ainda falta a ratificação do acordo pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu. Países como a Espanha apoiam o tratado, mas há resistência de nações mais protecionistas, como a França.
Lula afirmou que pretende convencer o presidente francês Emmanuel Macron a aceitar o acordo, argumentando que é necessário discutir as preocupações ambientais levantadas pela França. Macron alega que as regras ambientais para produtores europeus são mais rígidas do que as impostas aos sul-americanos, o que poderia tornar o acordo desigual. Lula sugere que a França apresente propostas para avançar nas negociações.
Outros acordos e impactos econômicos
Além do tratado com a União Europeia, o governo Lula espera anunciar ainda nesta semana, em Buenos Aires, um acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. As negociações começaram em 2017 e foram concluídas em 2019, mas pendências técnicas impediram a finalização.
Segundo o Itamaraty, o comércio entre o Mercosul e os países da EFTA movimenta cerca de US$ 7 bilhões anuais. A estimativa é que o novo acordo gere um incremento de US$ 5,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 15 anos. O tratado abrange temas como serviços, investimentos, compras governamentais, facilitação do comércio, cooperação aduaneira, medidas sanitárias e fitossanitárias, desenvolvimento sustentável e propriedade intelectual.