O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quinta-feira (11) com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. O tema central foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que Lula espera assinar até dezembro, durante a presidência rotativa do bloco pelo Brasil. O diálogo ocorre em meio ao aumento de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.
Diálogo internacional e impacto das tarifas
Segundo o governo alemão, Lula e Merz reafirmaram a intenção de aprofundar as relações comerciais entre Brasil e Alemanha e de trabalhar pela implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia. O Brasil, atualmente na presidência do Mercosul, tem buscado acelerar a assinatura do acordo, cuja negociação se estende há mais de vinte anos.
O contexto das conversas é marcado pelo recente aumento de tarifas dos Estados Unidos, imposto pelo então presidente Donald Trump, que afetou tanto o Brasil quanto a União Europeia. Desde o mês passado, produtos brasileiros enfrentam uma sobretaxa de 50% para entrada no mercado americano.
Reação do governo brasileiro
Diante do chamado ‘tarifaço’, Lula intensificou contatos com líderes internacionais para defender o multilateralismo e buscar alternativas de mercado para os exportadores brasileiros. Além da conversa com o chanceler alemão, o presidente já dialogou com líderes da França, Índia, China, Rússia e União Europeia. Nesta semana, Lula coordenou uma cúpula virtual do Brics, onde afirmou que o Brasil é vítima de “chantagem tarifária”.
O governo brasileiro ainda não divulgou detalhes oficiais sobre a conversa entre Lula e Friedrich Merz. A expectativa é que a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia ocorra durante a cúpula do bloco, prevista para dezembro no Brasil.
O Mercosul, composto por Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia, vê no acordo uma oportunidade de ampliar mercados e fortalecer laços econômicos diante das restrições impostas pelos EUA. Lula tem destacado que a guerra tarifária reforça a necessidade de diversificar parcerias internacionais e acelerar negociações históricas.
O cenário internacional, com tensões comerciais e medidas protecionistas, tem impulsionado o governo brasileiro a buscar novos caminhos para garantir competitividade e acesso aos principais mercados globais.