Política

Otan aprova meta de elevar gastos com defesa a 5 do PIB até 2035

Aliança formaliza novo compromisso em resposta à pressão dos EUA e ameaça russa na Ucrânia

Os países membros da Otan decidiram formalizar nesta quarta-feira (25) um compromisso de elevar os investimentos em defesa para 5% do PIB nacional até 2035.

A medida, anunciada pelo secretário-geral Mark Rutte, surge em meio à pressão dos Estados Unidos e ao contexto da guerra na Ucrânia, exigindo monitoramento anual dos avanços.

Motivações para o aumento dos gastos

A decisão dos países da Otan reflete a exigência dos Estados Unidos, que ameaçam retirar sua proteção dos aliados que não investirem o suficiente em defesa. Além disso, o valor de 5% é considerado necessário para manter as capacidades de defesa da Aliança diante da ameaça russa. As novas metas militares foram aprovadas oficialmente pelos ministros da Defesa no início de junho.

Segundo um funcionário da Otan, “se a Rússia conseguir financiar a guerra até 2027, também estaremos preparados para financiar nosso apoio à Ucrânia”. As metas serão revisadas a cada quatro anos, e cada país terá liberdade para definir os meios para atingi-las.

Composição dos gastos: 3,5% militares e 1,5% em segurança ampla

O total de 5% do PIB é dividido em dois capítulos: 3,5% destinados a gastos estritamente militares, como compras de armas e salários das Forças Armadas, e 1,5% para segurança em sentido mais amplo, incluindo funções civis, controle de fronteiras e infraestruturas. O conceito de “resiliência” também está contemplado, abrangendo as necessidades da sociedade civil em caso de conflito.

Entre as prioridades definidas estão defesa aérea, segurança cibernética, logística e satélites. O objetivo é aumentar em 30% as capacidades militares, quintuplicar as defesas aéreas e adicionar milhares de tanques aos arsenais da Aliança, conforme detalhou o secretário-geral Mark Rutte.

Fiscalização e desafios para os membros

O controle dos gastos será fundamental para garantir o poder de dissuasão não apenas contra a Rússia, mas também frente à China e Coreia do Norte. Até o final de 2024, apenas 22 dos 32 Estados-membros alcançaram a meta atual de 2% do PIB em defesa, estabelecida há dez anos.

A Otan reforça que todos os países devem cumprir a meta básica de 3,5% do PIB em gastos militares e apresentar relatórios anuais detalhando o progresso rumo ao objetivo de 5%. A analista Marta Mucznik, do International Crisis Group, destaca: “Chegar a um acordo sobre essas metas é um marco importante, mas o monitoramento é igualmente crítico. E igualmente importante é garantir que o dinheiro seja gasto adequadamente, eliminando as lacunas em capacidades vitais para a segurança europeia e mantendo a dissuasão da Ucrânia a longo prazo”.

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