O Kremlin afirmou nesta segunda-feira (15) que a Otan está diretamente envolvida na guerra contra a Rússia, aumentando as tensões entre Moscou e países europeus. A declaração ocorre após drones russos invadirem os espaços aéreos de Polônia e Romênia, ambos membros da aliança militar.
O porta-voz Dmitry Peskov declarou que a Otan fornece apoio direto e indireto à Ucrânia, caracterizando um confronto aberto. Os incidentes com drones levaram a Otan a reforçar seu flanco oriental, com exercícios militares e envio de tropas adicionais.
Escalada de tensões e declarações russas
Em meio ao aumento das tensões, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que “a Otan está de fato envolvida nesta guerra”, acusando a aliança de apoiar diretamente o regime de Kiev. As declarações foram feitas após drones russos terem invadido os espaços aéreos de Polônia e Romênia durante bombardeios massivos à Ucrânia, sendo abatidos por caças da Otan, em episódios inéditos desde o início da guerra em fevereiro de 2022.
A Rússia negou intenção de atingir alvos na Polônia e de ter relação com o drone que entrou na Romênia. O ex-presidente russo Dmitry Medvedev ironizou a proposta da Otan de reforçar seu flanco oriental e alertou que criar uma “zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia” e permitir que países da Otan derrubem drones russos significaria guerra aberta entre Otan e Rússia.
Paralelamente, a Rússia realiza exercícios militares conjuntos com Belarus, incluindo o teste de um novo míssil hipersônico, enquanto o Ocidente acompanha de perto as movimentações. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, destacou que os novos mísseis russos podem atingir capitais europeias em poucos minutos. Peskov afirmou também que as negociações de paz com a Ucrânia estão suspensas, chamando o governo ucraniano de inflexível.
Resposta da Otan e reforço militar
Na sexta-feira, a Otan anunciou o reforço da defesa do flanco oriental da Europa, após a invasão de drones russos na Polônia, classificada por Varsóvia como um teste das capacidades de resposta da aliança. Os EUA e aliados emitiram declaração conjunta condenando a incursão e acusando Moscou de violar normas internacionais.
O secretário-geral Mark Rutte chamou as incursões de “imprudentes e inaceitáveis” e anunciou a operação “Sentinela Oriental”, envolvendo bases aéreas e terrestres de países como Dinamarca, França, Reino Unido e Alemanha. O general Alexus Grynkewich, da Força Aérea dos EUA, afirmou que a Otan defenderá cada centímetro de seu território, e que a operação busca reforçar as defesas desde os estados bálticos até a Bulgária.
O contingente inicial inclui dois caças F-16 e uma fragata da Dinamarca, três Rafale da França e quatro Eurofighter da Alemanha, com o Reino Unido prometendo detalhar sua contribuição. O número total de tropas adicionais não foi divulgado. O primeiro-ministro polonês Donald Tusk afirmou que o ataque de drones à Polônia não foi um erro, respondendo a declarações de Donald Trump, que sugeriu sanções adicionais à Rússia.