Vladimir Putin declarou nesta sexta-feira (27) que a Rússia planeja cortar seus gastos militares a partir do próximo ano, em resposta ao anúncio da Otan de aumentar o orçamento de defesa. A afirmação foi feita durante coletiva em Minsk, enquanto o país enfrenta desaceleração econômica e pressões orçamentárias.
Putin destacou que o corte ainda depende de acerto entre os ministérios da Defesa, Finanças e Economia, mas afirmou que todos pensam nessa direção. O anúncio ocorre em meio a intensificação do conflito na Ucrânia e aumento dos gastos militares russos desde 2022.
Reação à Otan e justificativas russas
Na última quarta-feira, aliados da Otan decidiram elevar sua meta de gastos coletivos para 5% do PIB nos próximos 10 anos, justificando a medida pela ameaça de longo prazo representada pela Rússia e a necessidade de fortalecer a resistência civil e militar. Em sua primeira resposta pública, Putin minimizou o impacto da decisão da Otan, afirmando que os recursos seriam destinados principalmente a compras dos EUA e ao apoio ao complexo militar-industrial norte-americano.
“Estamos planejando reduzir os gastos com defesa. Para nós, no próximo ano e no seguinte, no próximo período de três anos, estamos planejando isso”, disse Putin, ressaltando que ainda não há acerto final entre os ministérios envolvidos, mas que a tendência é de redução. Ele questionou: “Então, quem está se preparando para algum tipo de ação agressiva? Nós ou eles?”.
Ceticismo ocidental e contexto do conflito
Analistas ocidentais recebem as declarações de Putin com ceticismo, já que a Rússia aumentou significativamente os gastos militares desde o início da guerra na Ucrânia. O conflito, que se intensificou nas últimas semanas, não apresenta sinais de cessar-fogo ou acordo permanente.
Putin também comentou sobre os esforços do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar a guerra, reconhecendo a complexidade do conflito. Trump afirmou recentemente acreditar que Putin busca uma solução, mas Ucrânia e aliados europeus duvidam do interesse russo em um acordo de paz.
O presidente russo informou ainda que negociadores russos e ucranianos mantêm contato constante e que Moscou está pronta para devolver os corpos de mais 3.000 soldados ucranianos.
Desafios econômicos e orçamento militar
A economia russa enfrenta forte desaceleração, com o orçamento pressionado pela queda nas receitas de energia e esforços do banco central para conter a inflação. Apesar do discurso de redução, a Rússia aumentou os gastos estatais com defesa nacional em um quarto para 2025, atingindo 6,3% do PIB – o maior nível desde a Guerra Fria. Os gastos militares representam 32% do orçamento federal de 2025.
Nos últimos anos, fábricas de defesa operam 24 horas por dia, e o Estado investiu em bônus para atrair soldados e indenizações para famílias de mortos. Putin reconheceu que o aumento dos gastos militares elevou a inflação. O Ministério das Finanças revisou a estimativa do déficit orçamentário de 2025 de 0,5% para 1,7% do PIB, após reduzir a previsão de receitas de energia em 24%. Para equilibrar as contas, o governo planeja utilizar reservas fiscais ainda este ano.