Vladimir Putin não se abalou diante das ameaças de sanções do presidente Trump e seguirá com a guerra na Ucrânia até que o Ocidente aceite negociar sob seus termos, segundo fontes próximas ao Kremlin.
Trump anunciou novas tarifas e envio de armas à Ucrânia, caso não haja cessar-fogo em 50 dias, mas líderes europeus consideram o prazo longo diante da violência diária.
Exigências russas e avanço territorial
De acordo com três fontes ligadas ao Kremlin, Putin mantém como prioridade a anexação de cerca de 20% do território ucraniano, podendo ampliar suas exigências conforme as forças russas avançam. Além disso, a Rússia quer o desarmamento da Ucrânia e a garantia de que a Otan não se expandirá mais para o leste.
Reação dos EUA e envio de armamentos
Na segunda-feira, Trump afirmou que, sem cessar-fogo em até 50 dias, imporá tarifas de 100% à Rússia e seus aliados econômicos, além das já existentes. O presidente americano também anunciou o envio de uma nova leva de armas à Ucrânia, destacando sistemas antimísseis Patriot, considerados “provocação” por Moscou. “Teremos alguns chegando muito em breve, dentro de alguns dias… alguns países que possuem Patriots farão a troca e substituirão os Patriots pelos que já possuem. É um complemento completo”, disse Trump.
Desde o início da guerra, em março de 2022, os EUA aplicaram sanções econômicas que reduziram drasticamente o comércio com a Rússia, que em 2024 chegou a US$ 3,5 bilhões, segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA.
Mudança de postura dos EUA e repercussão internacional
Os anúncios de Trump marcam uma mudança em sua política para a guerra na Ucrânia. Após assumir a presidência em janeiro de 2025, Trump buscou aproximação com Putin e chegou a sugerir acordos de cessar-fogo sem participação ucraniana. Em fevereiro, durante reunião com Volodymyr Zelensky, Trump discutiu publicamente com o presidente ucraniano, acusando-o de incitar uma Terceira Guerra Mundial, o que levou ao cancelamento do encontro.
Com a recusa de Moscou em aceitar condições americanas para o cessar-fogo, Trump passou a demonstrar decepção com o líder russo, chegando a chamá-lo de inútil e a criticar bombardeios à Ucrânia. Após os recentes anúncios, Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, afirmou estar satisfeita com a postura mais rígida dos EUA, mas considerou o prazo de 50 dias para punir Moscou “muito longo” diante das mortes de civis.