A Otan anunciou que todos os países-membros deverão investir ao menos 5% do PIB em defesa, durante cúpula em Haia nesta terça-feira (24). A medida, defendida por Ursula von der Leyen e Mark Rutte, visa fortalecer a segurança europeia diante das ameaças da Rússia e da instabilidade no Oriente Médio. A decisão ocorre após três anos de guerra na Ucrânia e envolvimento crescente dos EUA em conflitos regionais.
Europa reforça defesa e reage a ameaças
Durante a cúpula da Otan em Haia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a Europa finalmente acordou militarmente”. Segundo ela, o rearmamento é necessário diante da guerra da Rússia contra a Ucrânia, que já dura três anos. Von der Leyen ressaltou a importância de uma nova mentalidade, unindo tecnologia e defesa, e destacou: “Saibam que a Rússia poderá testar nossos compromissos de defesa mútua nos próximos cinco anos”.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, anunciou que os países-membros terão que destinar um mínimo de 5% do PIB para defesa, um aumento significativo em relação aos níveis atuais, que variam entre 2% e 3,5%. Rutte classificou a medida como um “salto gigantesco”, fundamental para garantir o futuro da aliança. O plano inclui quintuplicar os investimentos em defesa aérea, em resposta aos bombardeios russos na Ucrânia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou para possíveis operações militares russas em territórios da Otan e pediu mais apoio financeiro, especialmente para “liderar a corrida de drones”. Rutte prometeu mais de 35 bilhões de euros em ajuda militar à Ucrânia em 2024.
Reações da Rússia e outros países
A Rússia criticou a escalada da retórica bélica da Otan. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou a aliança de promover uma “militarização desenfreada” e afirmou que a Otan não é uma instituição pacificadora. Países como Espanha e Eslováquia manifestaram preocupação com o ritmo de implementação do novo piso de gastos, mas concordaram com a meta.
Impactos e bastidores da decisão
O aumento dos investimentos em defesa era uma exigência dos Estados Unidos, especialmente após Donald Trump reassumir a presidência em janeiro deste ano. Os EUA já investem acima do novo piso, enquanto a maioria dos membros da Otan ainda está abaixo da meta. A Alemanha, por exemplo, planeja chegar a 3,5% do PIB até 2029, saindo dos atuais 2,4%.
Durante a cúpula, também foram discutidos os conflitos no Oriente Médio. O envolvimento do Irã e dos EUA no confronto com Israel foi abordado, com autoridades afirmando que o regime iraniano comunicou o ataque com antecedência ao Catar e aos EUA, buscando equilibrar demonstração de força e abertura para diplomacia.
Rutte acusou o Irã de fornecer drones Shahed à Rússia e defendeu que os EUA não violaram leis internacionais ao atacar instalações nucleares iranianas. O premiê da Eslováquia, Robert Fico, ressaltou o direito do país de definir o ritmo de aumento dos gastos.
O consenso entre os membros da Otan é de que o mundo se tornou mais perigoso, exigindo respostas mais robustas e coordenadas. O objetivo é garantir que a Europa esteja preparada para dissuadir ameaças até 2030, promovendo uma integração entre defesa civil e militar.