A Otan anunciou nesta segunda-feira (23) que seus países-membros deverão elevar os gastos mínimos em defesa para 5% do PIB. A decisão, tomada durante cúpula em Haia, inclui investimentos em defesa aérea e tanques de guerra, em resposta a ameaças globais e à pressão dos EUA.
O secretário-geral Mark Rutte afirmou que todos os membros concordaram com o novo patamar, considerado um “salto para frente” para a segurança coletiva da aliança.
Investimentos em defesa aérea e tanques
Segundo Mark Rutte, parte dos recursos será destinada à modernização dos sistemas de defesa aérea, com o objetivo de proteger o espaço aéreo aliado contra ataques. A Otan também planeja adquirir novos tanques de guerra, reforçando a capacidade terrestre das forças militares e garantindo maior mobilidade e poder de fogo.
Durante a cúpula, Rutte destacou que os investimentos em defesa aérea serão quintuplicados. “Vemos diariamente o terror mortal da Rússia vindo do céu sobre a Ucrânia — e devemos ser capazes de nos defender contra esse tipo de ataque”, declarou.
Discussões sobre Ucrânia e Irã
A situação na Ucrânia e no Irã foi tema central das discussões. Rutte anunciou que os países-membros fornecerão mais de 35 bilhões de euros em ajuda militar à Ucrânia em 2024. Para ele, a entrada da Ucrânia na Otan é um processo irreversível.
Sobre o Irã, Rutte acusou o país de envolvimento na guerra na Ucrânia por meio do fornecimento de drones Shahed à Rússia e afirmou que os EUA não violaram leis internacionais ao atacar instalações nucleares iranianas.
Reações e desafios internos
O aumento para 5% do PIB nos gastos em defesa era uma exigência dos Estados Unidos desde a volta de Donald Trump à presidência. Os EUA já investem acima desse patamar, enquanto a maioria dos membros da Otan aplica entre 2% e 3,5% do PIB.
A Alemanha planeja elevar seu orçamento de defesa para 3,5% do PIB até 2029, segundo fontes do governo, enquanto atualmente destina 2,4%. Já a Espanha, apesar de se opor ao aumento, concordou com a meta, mas busca flexibilidade na implementação. O premiê da Eslováquia, Robert Fico, afirmou que o país decidirá o ritmo do aumento dos gastos.
O incremento é visto como vital para contrapor a ameaça da Rússia, que mantém sua ofensiva na Ucrânia, e também diante do conflito entre Israel e Irã, que envolveu diretamente os EUA no último fim de semana.