O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (13) um salto nos investimentos em Defesa Nacional, ao afirmar que as Forças Armadas brasileiras precisam estar preparadas para proteger a soberania territorial do país.
A fala ocorreu durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP), onde o petista também acompanhou o projeto de uma turbina a gás movida a etanol.
Lula disse não desejar guerra, mas apontou o interesse crescente de Estados Unidos, Rússia e China por petróleo, minerais críticos e terras raras encontrados em abundância no território e no mar brasileiros.
Disputa por recursos estratégicos
Durante o discurso, Lula citou diretamente o interesse de Estados Unidos, Rússia e China por reservas de petróleo, minerais críticos e terras raras presentes no Brasil. “Nosso petróleo está além das 300 milhas. E quem vai tomar conta disso? Quem vai tomar conta da riqueza, que a gente não sabe ainda o que tem no fundo do mar, quem vai tomar conta da riqueza que representa as terras raras, dos minerais críticos?”, questionou o presidente.
Para o petista, a ausência de investimento em Defesa deixaria o país vulnerável diante de potências que já disputam abertamente esses recursos. “A gente só vê o mundo falar isso, China, Rússia, EUA. E nós?”, completou.
Não é a primeira vez que Lula associa o fortalecimento das Forças Armadas à defesa da soberania nacional. Em junho, durante o batismo de uma fragata da Marinha, o presidente já havia defendido o reforço militar diante das ameaças de Donald Trump ao Panamá e à Groenlândia.
Tensão com os Estados Unidos
O discurso de Lula ocorre dias depois de o Itamaraty admitir haver “risco” de uma ação militar dos Estados Unidos no Brasil, após autoridades norte-americanas classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O tema dos minerais críticos também já apareceu em outras falas recentes do presidente. Em reunião no Planalto sobre o assunto, ele chegou a admitir que o Brasil ainda era “quase analfabeto” na área, mesmo diante da disputa internacional. Na ocasião, Lula também apontou uma obsessão da China pelas terras raras e disse que Trump sente “inveja” da posição brasileira no setor.
Na visita ao IAE, Lula ainda acompanhou o projeto da primeira turbina a gás para geração de energia elétrica movida a etanol, que coloca o Brasil como o sexto país do mundo a produzir esse tipo de equipamento.
