A coligação Brasil Pronto pra Mais, liderada pelo PT, protocolou nesta sexta-feira (7) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o registro da candidatura de Lula à reeleição, com Geraldo Alckmin novamente como vice.
O pedido foi enviado às 23h20 de sexta, segundo recibo do Sistema de Candidaturas, e reúne o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) e os requerimentos individuais dos dois nomes. A chapa concorrerá com o número 13.
Protocolo não garante aprovação
O envio do pedido formaliza a intenção da coligação, mas não significa que as candidaturas já estão aprovadas. A documentação segue agora para análise da Justiça Eleitoral, que pode pedir ajustes ou impugnações antes de validar a chapa.
A Brasil Pronto pra Mais reúne sete partidos: PDT, PSB, a federação formada por PT, PCdoB e PV, e a federação PSOL-Rede. É a mesma base que sustentou a vitória de Lula e Alckmin em 2022, repetida agora para a disputa de 2026.
A candidatura havia sido oficializada seis dias antes do protocolo, durante a convenção nacional do PT em São Paulo, no último domingo (2). Na ocasião, Lula prometeu um quarto mandato “mais ousado” e avisou que pretende brigar com o Congresso pelas emendas parlamentares, tema que também aparece no programa de governo agora protocolado.
Sétima candidatura, quarto mandato
Aos 80 anos, Lula disputa a Presidência pela sétima vez. Ele concorreu pela primeira vez em 1989, tentou novamente em 1994 e 1998, foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Palácio do Planalto após vencer a eleição de 2022. Se eleito, terá o quarto mandato.
Além do registro de candidatura, a coligação protocolou as diretrizes do programa de governo para um eventual novo mandato — um documento de 84 páginas que coloca a soberania nacional entre os principais eixos. O texto também propõe discutir mudanças nas emendas parlamentares, apoiar o fim da escala de trabalho 6×1 e ampliar políticas de saúde, educação e segurança pública.
A chapa Lula-Alckmin é uma exceção no cenário eleitoral de 2026: é a única aliança interpartidária entre as 13 candidaturas presidenciais do ano, quando 92% das chapas reúnem presidente e vice do mesmo partido — recorde desde a redemocratização.
Patrimônio declarado ao TSE
Os dados do pedido de registro, disponibilizados para consulta pública neste sábado (8), mostram que Lula declarou R$ 4,8 milhões em bens, enquanto Alckmin informou patrimônio de R$ 3,3 milhões. Juntos, os dois somam R$ 8,1 milhões — queda de 4,3% em relação aos R$ 8,4 milhões declarados em 2022.
Em comparação com a última eleição, o patrimônio de Lula caiu 35,7%: eram R$ 7,4 milhões em 2022. A principal redução ocorreu nos planos VGBL — modalidade de seguro usada para acumulação de longo prazo, semelhante à previdência privada. O presidente passou de R$ 5,6 milhões em um único plano para dois VGBLs que somam R$ 3,3 milhões, queda de 40,7%.
Alckmin seguiu caminho inverso: registrou alta de 227,3% em relação a 2022, quando declarara R$ 1 milhão. O crescimento está concentrado nos ativos financeiros, que saltaram de R$ 488 mil para R$ 2,7 milhões, com aumento em VGBL e aplicações de renda fixa.
Entre os cinco presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas, apenas o PT e o Missão Renovação haviam apresentado pedidos de registro ao TSE até este sábado (8). As candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) ainda não tinham sido protocoladas. O prazo para entrega dos pedidos à Justiça Eleitoral vai até as 19h de 15 de agosto.