Das 13 candidaturas à Presidência confirmadas nas convenções partidárias de 2026, 12 são chapas puro-sangue — formadas por presidente e vice do mesmo partido —, a maior proporção desde a redemocratização: 92% do total. O primeiro turno da eleição está marcado para 4 de outubro.
A única exceção é a chapa de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), única aliança entre partidos diferentes no páreo. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) estão entre os que escolheram vices da própria legenda.
Recorde supera patamar de 2014
O maior índice de chapas puro-sangue registrado até então havia ocorrido em 2014, quando 10 das 11 candidaturas presidenciais reuniam presidente e vice do mesmo partido. Naquele ano, a única aliança interpartidária foi a de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).
Na primeira disputa após a ditadura militar, em 1989, 19 das 22 chapas — 83% do total — também eram formadas por integrantes de uma mesma legenda. Já o menor índice da série histórica foi registrado em 2002, quando metade dos seis candidatos concorreu com vice do próprio partido e a outra metade recorreu a coligações.
Direita fragmentada, esquerda unida
Neste ano, a chapa formada por Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) é a única costurada entre partidos diferentes — parceria selada ainda em julho, repetindo a aliança vitoriosa de 2022. No campo adversário, o cenário foi de dificuldade para fechar acordos: Flávio Bolsonaro (PL) só definiu seu vice nos dias finais antes do prazo das convenções, assim como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), que também optaram por vices da própria sigla.
Por que o fenômeno se repete em 2026
Cientistas políticos apontam três fatores centrais para o recorde de chapas próprias. O primeiro é a decisão de legendas como PP, Republicanos, MDB, União Brasil e do próprio PSD — que mantém candidatura à Presidência — de adotar neutralidade na disputa, segundo análise do professor aposentado de Ciência Política da UFMG Carlos Ranulfo.
O segundo fator é a prioridade das siglas em formar bancadas fortes na Câmara dos Deputados, estratégia que já havia levado o PT a abrir mão de candidaturas a governador em 14 estados para fortalecer sua coalizão no Congresso. Por fim, o cientista político Claudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destaca o peso do financiamento eleitoral: evitar alianças nacionais reduz os recursos partidários usados na disputa presidencial e amplia o espaço para chapas fortes nos estados, mirando composições em futuros governos.