A candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência caminha para o primeiro turno com uma limitação concreta: sem alianças, o PSD tem direito a apenas 55 segundos de propaganda eleitoral por bloco no rádio e na televisão.
O partido definiu Gilberto Kassab como pré-candidato a vice-presidente, formando uma chapa sem outros partidos. A ausência de coligações restringe também o acesso ao fundo eleitoral — os R$ 421 milhões que o PSD receberá em 2026 precisam cobrir da disputa presidencial às vagas no Senado e na Câmara.
As tentativas do PSD de ampliar a base de apoio não avançaram. O partido buscou aproximação com Romeu Zema, do Novo, e com a federação entre União Brasil e Progressistas — mas as negociações não foram concluídas até o momento.
Pelas regras eleitorais, a escolha do vice dentro do próprio partido não altera o volume de recursos nem o tempo de TV. O que define essa equação é a bancada dos partidos formalmente na coligação: quanto maior o número de deputados federais, mais fundo e mais segundos no ar.
O que muda com cada aliança
Uma composição com o Novo acrescentaria apenas 4 segundos de propaganda e R$ 37 milhões de fundo eleitoral — impacto marginal, dado o tamanho da bancada. Já a adesão da federação União Brasil e Progressistas mudaria a escala: os dois partidos somam 5 minutos e 27 segundos de TV e R$ 943 milhões do fundo eleitoral.
Os R$ 421 milhões do PSD integram os R$ 4,9 bilhões distribuídos pelo TSE entre 30 partidos em 2026 — um total em que produção para rádio e TV já foi a maior rubrica individual nas eleições gerais anteriores.
Em termos práticos de propaganda: com chapa exclusivamente do PSD, Caiado teria cerca de 1 minuto e 8 segundos por bloco. Com o Novo, passaria para 1 minuto e 12 segundos. Com União Brasil e PP, poderia superar os 6 minutos.
A dificuldade de atrair aliados tem também uma raiz interna: nos maiores colégios eleitorais do país, o PSD está rachado — com seções estaduais apoiando Lula, Zema e Flávio Bolsonaro em vez da chapa que o próprio presidente do partido integra.
O cenário externo também pesa contra a formação de alianças. A polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) desde o primeiro turno comprime o espaço para candidaturas intermediárias e desestimula apoios locais fora dessa dualidade, segundo o professor Fernando Schüler, do Insper.
Pesquisa Quaest de junho mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 39% cada no primeiro turno. Caiado aparece com 3%, empatado com Renan Santos (Missão) e tecnicamente igualado a Zema, Aécio Neves e outros candidatos que não passam de 2%.
Para Schüler, partidos calculam o retorno eleitoral antes de fechar alianças. Candidatos com mais de 10% de intenções de voto tendem a puxar votos para candidatos à Câmara; abaixo de 5%, o efeito desaparece. “Se é um candidato forte, puxador de voto, sim, é um bom investimento. Se não, o contrário não vale a pena”, afirmou o cientista político.
A definição de Kassab como vice coloca Caiado ao lado de Lula como os únicos presidenciáveis com chapa fechada a menos de 100 dias do primeiro turno — todos os demais ainda negociam composições.
