O Banco Central informou nesta sexta-feira (31) que as empresas estatais federais fecharam o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 7,8 bilhões, o pior resultado da série histórica iniciada em 2002.
O rombo supera o resultado de todo o ano de 2024 (R$ 6,73 bilhões) e ultrapassa o resultado parcial do mesmo período em 2025 (R$ 3,9 bilhões negativos), segundo o Banco Central, que exclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos da série.
O déficit ocorre porque as despesas somadas dessas estatais superaram as receitas geradas no período, aprofundando um cenário de deterioração fiscal que já dura desde 2023.
Correios puxam resultado negativo
O resultado ruim das estatais federais tem sido agravado principalmente pela situação dos Correios, que atravessa grave crise fiscal. A estatal registrou rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025, com forte piora do resultado financeiro, e o próprio governo federal admite que o quadro pode se agravar ainda mais nos próximos anos, apesar do plano de reestruturação em vigor.
No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso Nacional em abril, o governo reconhece que as estatais federais, deficitárias desde 2023, devem permanecer no vermelho até 2030.
Um levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, havia antecipado o alerta uma semana antes: em 23 de julho, o órgão documentou patrimônio líquido negativo e fluxo de caixa deficitário em empresas como Correios, Codevasf e Infraero — risco fiscal que os dados do Banco Central agora confirmam em números recordes. Leia mais sobre o alerta da IFI.
Correios buscam novos empréstimos
Para enfrentar o rombo financeiro, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos em dezembro de 2025, com garantia do Tesouro Nacional. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) abriu espaço para a estatal captar mais R$ 8 bilhões com aval da União.
Em maio, o governo autorizou os Correios a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia, por meio de convênios com instituições financeiras, como parte da estratégia para tentar equilibrar as contas.
O rombo das estatais chega em um momento de pressão crescente sobre o Tesouro: nesta mesma sexta-feira, o Banco Central informou que a dívida pública atingiu 81,9% do PIB, o maior patamar em mais de cinco anos. Saiba mais sobre a alta da dívida pública.
