Política

TST julga hoje impasse do plano de saúde na greve dos Correios

Categoria completa 11 dias parada; entenda o ponto que trava o acordo coletivo
Veículo dos Correios parado e sede do TST ao fundo, simbolizando o impasse da greve dos Correios plano de saúde

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) analisa nesta segunda-feira (21), às 13h30, a disputa entre Correios e trabalhadores que sustenta a greve nacional da categoria, iniciada em 10 de setembro.

O impasse gira em torno do plano de saúde: os empregados querem preservar o modelo atual, em que a estatal atua como mantenedora do benefício, enquanto a empresa propõe mudar a forma de participação nos custos.

Uma liminar já obriga a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade durante a paralisação.

O que trava o acordo

Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), as negociações avançaram em praticamente todas as cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, e o plano de saúde é o único ponto que ainda impede a assinatura. A entidade afirma que a mudança proposta pela empresa pode elevar o custo do benefício para as famílias dos trabalhadores, e estima que mais de 170 mil pessoas — entre ativos, aposentados e dependentes — sejam afetadas pela definição.

Os Correios, por sua vez, acionaram a Justiça um dia depois do início da greve deflagrada na noite de 10 de setembro, pedindo que a paralisação seja declarada abusiva e que os serviços sigam mantidos. A estatal diz que as agências continuam funcionando normalmente e que montou um plano de contingência, com servidores administrativos reforçando a operação e mutirões de entrega para reduzir o impacto sobre os clientes.

Um impasse que já vem de antes

A discussão sobre o plano de saúde não é nova. Uma liminar de 26 de janeiro já havia suspendido quatro cláusulas do acordo coletivo anterior — Ticket Extra, Plano de Saúde, Trabalho em Dia de Repouso e Gratificação de Férias de 70% —, tema que segue pendente de julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal). Em julho, a empresa já havia recuado de medidas mais duras de reestruturação, como fechamento de agências, mas o benefício de saúde ficou de fora daquele entendimento.

Próximos passos

A greve segue mantida enquanto não houver acordo entre as partes, segundo a FINDECT. Após a decisão do TST desta segunda-feira, os sindicatos vão convocar novas assembleias para avaliar o resultado do julgamento e decidir os encaminhamentos junto à categoria.

A federação reforça que os sindicatos continuam abertos ao diálogo e que já pediram formalmente aos Correios a retomada das negociações. Para a entidade, a solução do impasse passa pela manutenção do plano de saúde nos moldes atuais, sem alteração na forma de participação da empresa no custeio do benefício.