O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, confirmou ao g1 que o governo federal vai incluir um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios na Proposta de Lei Orçamentária (PLOA) de 2027, que será enviada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31).
O reforço financeiro, repassado via Tesouro Nacional, deve ajudar a estatal a enfrentar a crise que reduziu receitas e ampliou despesas nos últimos três anos. Moretti não detalhou o formato da transferência.
Empréstimo bilionário como pano de fundo
No fim de 2025, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco dos principais bancos do país para reforçar o caixa da estatal em meio à crise financeira. O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, ou seja, o governo federal se compromete a honrar as parcelas caso a empresa fique inadimplente.
A autorização do Tesouro Nacional para o financiamento fez parte de um plano de reestruturação apresentado depois que cinco bancos ofereceram proposta de crédito à estatal. A confirmação do ministro Moretti apenas oficializa o que a ministra Esther Dweck já havia sinalizado em março: o aporte para 2027 já constava do próprio contrato assinado com os bancos.
Reestruturação em curso
Além do aporte e do empréstimo, os Correios anunciaram em 2025 um plano de reestruturação que prevê corte de custos, Programa de Demissão Voluntária (PDV), venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, redução de jornada de trabalho, mudanças nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e lançamento de um marketplace próprio.
As medidas tentam reverter um quadro que já dura mais de três anos. Os Correios fecharam 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e somaram 14 trimestres consecutivos no vermelho, série que se arrasta desde o quarto trimestre de 2022 e explica a necessidade de sucessivos socorros financeiros da União.