Trabalhadores dos Correios começam nesta sexta-feira (11) uma greve por tempo indeterminado, com adesão de sindicatos de todos os estados do país.
A decisão foi tomada em assembleias na noite de quinta-feira (10), após as negociações da Campanha Salarial terminarem sem acordo, informou a Federação Interestadual dos Empregados dos Correios e Telégrafos (Findect).
Segundo a federação, o principal impasse nas negociações é o plano de saúde dos funcionários, que a direção da estatal pretende modificar.
Impasse no plano de saúde trava acordo
A Findect afirma que a direção dos Correios pretende alterar o plano de saúde oferecido aos funcionários, medida rejeitada pela categoria. Segundo a federação, a decisão pelas assembleias veio depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem que a empresa recuasse da posição considerada fundamental pelos trabalhadores.
Em julho, os Correios chegaram a suspender as medidas mais polêmicas do plano de reestruturação — incluindo revisões de remuneração — após resistência sindical, mas o conflito com os trabalhadores não foi resolvido e desembocou agora na greve.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio, durante a paralisação apenas os serviços administrativos internos seguem funcionando. Ainda não há confirmação sobre o funcionamento das operações em outros estados, e os Correios não responderam até a publicação desta reportagem.
Crise financeira alimenta empréstimo bilionário
A greve ocorre em meio a uma sequência de 15 trimestres consecutivos no vermelho para os Correios, que fecharam o primeiro semestre deste ano com prejuízo de R$ 5,6 bilhões. O resultado do segundo trimestre, porém, foi menor que o dos dois períodos anteriores, sinalizando uma recuperação ainda tímida depois do prejuízo recorde do início do ano.
Essa fragilidade financeira não é nova: em 2025, os Correios fecharam o ano com rombo de R$ 8,5 bilhões e 14 trimestres no vermelho, cenário que já havia forçado a estatal a recorrer a um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos.
Para tentar equilibrar as contas, a empresa espera receber até 15 de setembro um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, já confirmado nas demonstrações financeiras do primeiro semestre. Segundo apurou o g1, o financiamento deve reunir as instituições estrangeiras Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, além do banco Banrisul.