Política

TSE exige plano de conformidade de plataformas digitais até 16 de agosto

Portaria de Nunes Marques mira impulsionamento de fake news e chega após denúncia sobre perfis falsos contra Flávio Bolsonaro
Ministro Nunes Marques exige plano de conformidade TSE plataformas digitais; ao fundo, sede do Tribunal Superior Eleitoral

O TSE publicou nesta quarta-feira (29) uma portaria que obriga plataformas digitais com mais de cinco milhões de usuários a enviarem planos de conformidade eleitoral até 16 de agosto.

As regras miram o impulsionamento de conteúdo falso e a atuação de redes coordenadas de perfis inautênticos durante o período eleitoral de 2026.

O que a portaria exige das big techs

O documento, assinado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, vale para empresas com mais de cinco milhões de usuários — ficam de fora serviços de e-mail, videochamada, enciclopédias on-line e plataformas de conteúdo editorial ou protegido por direitos autorais.

Cada plataforma deverá detalhar sua estrutura para cumprir ordens judiciais, além de interromper o impulsionamento e a monetização de conteúdos capazes de afetar a integridade eleitoral. A portaria também cobra parâmetros para identificar comportamentos inautênticos coordenados — quando várias contas, incluindo perfis falsos e robôs, agem juntas para manipular o debate público.

Dados públicos e informações sob sigilo

Os planos terão duas camadas: informações de acesso público, divulgadas à sociedade, e dados restritos, vistos apenas por servidores designados pelo TSE. Em casos excepcionais, as empresas podem recusar entregar um dado restrito, desde que justifiquem a decisão, como sigilo comercial. Se Nunes Marques rejeitar a justificativa, o item recusado será tornado público.

Caso Flávio Bolsonaro acelerou a regulação

A portaria vem poucos dias depois de Nunes Marques determinar que a Meta preserve dados de uma rede de contas falsas usada contra o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). O ministro assumiu pessoalmente a relatoria do caso e ordenou a preservação das provas, precedente que ajuda a explicar a urgência da nova exigência de conformidade.

O coordenador de campanha, senador Rogério Marinho, se reuniu com Nunes Marques em 20 de julho. Na ocasião, a campanha já havia levado ao TSE uma denúncia sobre 20 mil perfis falsos que teriam movimentado cerca de R$ 20 milhões para impulsionar propaganda contra Flávio.

Durante a análise dos planos, o TSE poderá pedir informações extras, exigir retificações ou determinar auditoria técnica conduzida pela própria Justiça Eleitoral. A Corte também pode instituir uma comissão de acompanhamento intensivo em momentos de maior risco, reunindo plataformas, sociedade civil, academia e especialistas para discutir riscos emergentes, sem acesso a dados restritos.

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