Política

Impulsionamento pago lidera denúncias de propaganda eleitoral ao TSE

Ferramenta Pardal recebeu 1.103 registros em quatro dias, com SP à frente no ranking nacional
Fachada do TSE destacada, alusiva às denúncias de propaganda eleitoral impulsionada em redes sociais

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 1.103 denúncias de propaganda eleitoral irregular em apenas quatro dias, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (19).

Os registros chegaram pela ferramenta Pardal, disponibilizada no último domingo (16), início da campanha oficial para as eleições 2026.

São Paulo lidera o ranking nacional com 193 denúncias, seguido por Pernambuco, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

O impulsionamento pago de conteúdo digital é a queixa mais recorrente, somando 339 casos — quase um terço do total registrado.

Impulsionamento pago concentra queixas

Do total de denúncias recebidas pelo Pardal, 339 (30,73%) apontam impulsionamento pago de conteúdos digitais — a modalidade mais recorrente entre as irregularidades reportadas. Infrações genéricas na internet aparecem na sequência, com 289 registros (26,2%), e irregularidades em bens públicos somam 105 casos (9,52%).

A prática já era alvo de restrição desde março, quando o TSE proibiu expressamente o pagamento por propaganda eleitoral e estabeleceu regras específicas para uso de inteligência artificial nas campanhas de 2026, invertendo o ônus da prova em casos que envolvem conteúdo gerado por IA.

No recorte por função em disputa, candidaturas ao Legislativo concentram a maior parte das reclamações registradas na ferramenta.

Como funciona a fiscalização

Para registrar uma denúncia, o eleitor precisa se identificar com a conta Gov.br ou o aplicativo e-Título, mas o sigilo sobre sua identidade é garantido por lei. O sistema aceita fotos, vídeos, áudios e links como prova, e gera um número de protocolo ao final do processo.

Do total de casos, 596 (54%) seguem em análise, 383 (35%) já foram baixados do sistema e 124 (11%) foram peticionados no Processo Judicial Eletrônico (PJe). Denúncias sobre desinformação que ameace a integridade do pleito seguem automaticamente para o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), enquanto suspeitas de crimes eleitorais vão para o Ministério Público Eleitoral (MPE).

O volume chama atenção diante do histórico recente: em junho, ainda a 100 dias da eleição, o TSE havia contabilizado 135 representações eleitorais formais — patamar que o Pardal superou em mais de oito vezes já na primeira semana de propaganda oficial.

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