Política

TSE retira regra que permitia impulsionar críticas ao governo em 2026

Tribunal excluiu dispositivo polêmico das normas eleitorais após PT alertar para risco de desequilíbrio na disputa

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta quarta-feira (4) as normas eleitorais definitivas para 2026 sem um dispositivo que havia gerado controvérsia: o que autorizava o impulsionamento pago de críticas à gestão pública fora do período eleitoral.

A cláusula constava na minuta preliminar apresentada em fevereiro. Após audiências públicas em que PT e PL defenderam posições opostas, o plenário do tribunal a excluiu do texto final.

O que dizia o dispositivo excluído

A minuta prévia do TSE estabelecia que “não caracteriza propaganda eleitoral antecipada negativa a crítica ao desempenho da administração pública, realizada por pessoa natural, ainda que ocorra a contratação de impulsionamento, desde que ausentes elementos relacionados à disputa eleitoral”.

Na prática, a regra abriria a possibilidade de qualquer cidadão pagar para turbinar publicações críticas ao governo sem que isso fosse enquadrado como propaganda eleitoral — mesmo fora do período formal de campanha.

Divisão entre PT e PL

Nas audiências públicas, o advogado Miguel Novaes, representando o Partido dos Trabalhadores, defendeu a exclusão do dispositivo. Para ele, o mecanismo comprometia a isonomia na disputa.

“A totalização de críticas contra um único pretenso candidato à reeleição pode, certamente, causar um desequilíbrio eleitoral”, argumentou Novaes, acrescentando que a previsão de modicidade nos gastos não seria suficiente para conter o problema.

O PL adotou posição contrária e propôs ampliar o alcance da norma. O advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa sugeriu substituir a restrição a “elementos relacionados à disputa eleitoral” por referência apenas ao “pedido explícito de voto ou de não voto” — padrão já consolidado na jurisprudência do tribunal.

Para Fabiano Garrido, diretor executivo do Instituto Democracia em Xeque, a exclusão sinaliza preocupação do TSE em evitar zonas cinzentas entre debate público e propaganda eleitoral disfarçada.

Segundo o especialista, se mantida, a regra poderia abrir espaço para a formação de um mercado paralelo de comunicação política, com recursos de origem irregular sendo canalizados para postagens formalmente enquadradas como críticas à administração, mas que funcionariam na prática como propaganda eleitoral.

“Esse tipo de brecha poderia facilitar a drenagem de grandes volumes de recursos ilícitos para estruturas informais de comunicação política, dificultando a fiscalização do financiamento eleitoral”, afirmou Garrido.

A retirada do dispositivo integra o pacote mais amplo de regras publicado pelo TSE na mesma sessão. A resolução também proibiu o pagamento de influenciadores por conteúdo político-eleitoral e impôs restrições inéditas ao uso de inteligência artificial nas campanhas de 2026.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Lula barra IA da campanha e defende proibição para as eleições de 2026

TSE aprova regras para IA nas eleições de 2026 com proibição nas 72h antes do voto

TSE cria comissão permanente para governar uso de IA nas eleições

TSE propõe pacto com partidos para blindar eleições 2026 da desinformação

Lula recusa inteligência artificial para substituir sua imagem em campanha

Defeso eleitoral gera apagão de dados públicos e ameaça acesso à informação