Lula e Xi Jinping conversaram por telefone na noite de domingo (26) e defenderam o aprofundamento da cooperação bilateral, além da aceleração do acordo entre Mercosul e China.
A ligação, que durou mais de uma hora, ocorreu dias depois de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras e anunciarem uma segunda taxa, de 12,5%, contra o Brasil e outros parceiros comerciais.
De acordo com nota divulgada pelo Planalto, a ligação tratou ‘da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países’. O comunicado brasileiro, porém, não cita diretamente o tarifaço americano como pauta da conversa.
China defende posição ‘do lado certo da história’
Já a nota divulgada por Pequim tem tom mais direto. Segundo o governo chinês, Xi Jinping afirmou que, diante de ‘novas circunstâncias e desafios’, Brasil e China devem se posicionar ‘firmemente do lado certo da história’ e assumir papel maior na reforma do sistema de governança global.
Ainda conforme o comunicado chinês, Xi disse valorizar ‘o status internacional e a importante influência do Brasil’ e reafirmou apoio do país asiático à defesa da soberania e da independência brasileira, além de oposição à ‘interferência externa’.
A conversa acontece poucos dias depois de os Estados Unidos colocarem em vigor uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Na semana anterior, o governo de Donald Trump havia anunciado ainda uma segunda taxa, de 12,5%, aplicada a 60 parceiros comerciais — incluindo o Brasil —, sob justificativa de suposta falha no combate ao trabalho forçado.
O avanço nas tratativas entre Mercosul e China não é novidade recente. Um mês antes da ligação entre Lula e Xi, na cúpula do bloco em Assunção, o presidente brasileiro já havia anunciado o início de negociações formais com o gigante asiático, movimento que reforça a busca do Brasil por alternativas comerciais fora do eixo americano.
O aceno a Pequim contrasta com o esforço diplomático do Planalto junto a Washington: desde o anúncio do tarifaço, o governo brasileiro já soma mais de 30 contatos com os Estados Unidos, até agora sem resultado concreto.
Enquanto isso, Brasília também reage no campo jurídico. Dias antes da conversa com Xi Jinping, o governo acionou a Lei da Reciprocidade como resposta à segunda tarifa de 12,5% imposta pelos americanos.