Política

Lula discute com Xi Jinping resposta ao tarifaço dos Estados Unidos

Presidente brasileiro busca apoio chinês e debate medidas de reciprocidade após tarifas impostas por Donald Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta segunda-feira (11) com o líder chinês Xi Jinping sobre o recente tarifaço dos Estados Unidos, imposto pelo presidente Donald Trump. A ligação, confirmada pelo Planalto, também abordou relações bilaterais e temas geopolíticos.

Durante a conversa, ambos destacaram o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo e discutiram cooperação em setores estratégicos. Lula ainda reforçou a importância da China para o sucesso da COP 30.

Conversa entre Lula e Xi Jinping

A ligação entre Lula e Xi Jinping foi realizada a pedido do presidente brasileiro e durou cerca de uma hora. Segundo nota oficial, os dois líderes concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo. Fontes do governo relataram que a pauta incluiu as relações bilaterais e a conjuntura geopolítica internacional.

O comunicado do governo destacou que ambos saudaram os avanços nas sinergias entre os programas nacionais de desenvolvimento e se comprometeram a ampliar a cooperação em áreas como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites.

Em suas redes sociais, Lula afirmou: “Reiterei a importância que a China terá para o sucesso da COP 30 e no combate à mudança do clima. O presidente Xi indicou que a China estará representada em Belém por delegação de alto nível e que vai trabalhar com o Brasil para o êxito da conferência”.

A China é atualmente o maior parceiro comercial do Brasil. Entre janeiro e julho deste ano, as exportações brasileiras para o país asiático superaram US$ 57,6 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 41,7 bilhões, segundo o MDIC.

Medidas de reciprocidade e repercussão

Após o tarifaço de 50% anunciado por Donald Trump sobre produtos brasileiros, o governo brasileiro planeja lançar um plano de ajuda econômica e iniciar debates sobre possíveis medidas de reciprocidade. A jornalista Ana Flor, da GloboNews, informou que o tema é sensível, pois empresários temem que a aplicação da Lei de Reciprocidade possa encarecer produtos importados dos EUA ou causar impactos negativos na economia.

Setores econômicos avaliam que o uso da lei pode indicar uma saída da mesa de negociação para reverter as tarifas recentes. Lula solicitou aos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Fazenda a análise de medidas pontuais de reciprocidade, com orientação para evitar ações amplas e focar em respostas específicas.

Em evento no Palácio do Planalto, Lula destacou a necessidade de o Brasil manter sua soberania em um cenário internacional hostil: “Este país está precisando de todos nós, porque o mundo está ficando mais perverso. O mundo está ficando mais nervoso, e nós precisamos de um país soberano, democrático, e que o povo brasileiro seja o único dono deste país”.

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