Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping conversaram por telefone na noite deste domingo (26) e defenderam a aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China, além do aprofundamento da cooperação bilateral em setores estratégicos.
A ligação, que durou mais de uma hora segundo o Palácio do Planalto, ocorreu horas depois de Lula chamar as tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros de ‘erro estratégico’ em artigo no jornal The Washington Post.
Parcerias em tecnologia e diversificação de mercados
Segundo comunicado do Planalto, os líderes trataram da implementação de projetos de desenvolvimento conjunto e reiteraram o interesse em ampliar parcerias em inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. Lula reforçou que o governo brasileiro segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais.
A aproximação com Pequim não é isolada: um mês antes, na 68ª cúpula do Mercosul em Assunção, Lula já havia anunciado o início formal das negociações comerciais entre o bloco e a China. A ligação com Xi também ocorreu no mesmo dia em que Lula recebeu o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, para tratar de terras raras, reforçando a ofensiva brasileira para diversificar parcerias comerciais.
Tarifas dos EUA ficam de fora da nota oficial
Apesar da expectativa de que o tarifaço entrasse na pauta, a nota do Planalto não cita diretamente as tarifas impostas pelo governo Trump entre os temas da conversa. A crítica de Lula às tarifas americanas chega poucos dias depois de o próprio governo revelar que negociou o tarifaço com os EUA mais de 30 vezes sem reverter a medida.
Crises internacionais e defesa do multilateralismo
Os dois presidentes também trataram de temas internacionais e manifestaram preocupação com a multiplicação de conflitos ao redor do mundo e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global, lamentando as perdas humanas e materiais decorrentes dessas crises.
Sobre o Oriente Médio, Lula e Xi afirmaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb prejudicam a economia mundial e reiteraram preocupação com a crise humanitária em Gaza. Os líderes também defenderam que o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa lançada por Brasil e China na ONU em setembro de 2024, pode ter papel relevante na retomada de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.
Ambos criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder às crises internacionais e avaliaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará um cenário particularmente desafiador. Ao final da conversa, reafirmaram o compromisso com o multilateralismo e concordaram em manter coordenação próxima em fóruns como a ONU e os Brics.
