O Mercosul deu um passo concreto para ampliar sua agenda comercial global. Na 68ª cúpula do bloco, realizada nesta terça-feira (30) em Assunção, o presidente Lula anunciou que o bloco iniciará em breve negociações formais com a China.
O Mercosul também iniciou negociações com o Japão e avança nas tratativas com Canadá, Índia e Vietnã. O encontro expôs ainda uma tensão interna: o presidente paraguaio Santiago Peña criticou publicamente o modo como o acordo com a União Europeia está sendo implementado.
Crítica paraguaia ao acordo Mercosul-UE
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, usou o discurso de abertura da cúpula para questionar a divisão das cotas de exportação com tarifas reduzidas para o mercado europeu — um dos pontos mais sensíveis da implementação do acordo Mercosul-UE.
“Para que negociamos com a Europa se o acesso a novos mercados não há de servir para desenvolver o que ainda não está desenvolvido?”, afirmou Peña, em declaração que evidencia o desconforto paraguaio com a distribuição atual dos benefícios do acordo.
A crítica reflete uma disputa entre os países-membros sobre como serão repartidas as cotas de exportação com redução tarifária para o bloco europeu — mecanismo que define quem se beneficia mais das novas condições de acesso ao mercado da UE.
Agenda comercial em expansão
Além da China, Lula confirmou que o Mercosul já iniciou negociações para uma parceria econômica com o Japão e segue avançando nas conversas com Canadá, Índia e Vietnã — ampliando a presença do bloco em múltiplas frentes do comércio internacional simultaneamente.
A 68ª cúpula do Mercosul foi marcada não apenas pelos anúncios comerciais, mas também por um momento de solidariedade regional. Antes das discussões sobre acordos e cotas, Lula propôs um minuto de silêncio pelas vítimas dos terremotos que devastaram a Venezuela — gesto que marcou a abertura da reunião antes da agenda econômica.
O encontro em Assunção revelou duas faces do bloco: uma voltada para fora, com a busca por novos mercados globais — China, Japão, Canadá, Índia e Vietnã — e outra para dentro, com tensões sobre como distribuir os benefícios dos acordos já firmados, especialmente com a União Europeia.
A declaração de Peña na abertura da cúpula transformou uma disputa interna sobre cotas em tema de debate público durante o encontro, expondo as assimetrias que o acordo Mercosul-UE ainda precisa equacionar entre os países-membros do bloco.
